ONG judaica critica PT por acordo com Partido Baath na Síria

Para Centro Simon Wiesenthal , partido sírio representa regime autoritário; PT diz que manterá convênio

Guido Nejamkis, da Reuters,

02 de agosto de 2007 | 16h19

O Centro Simon Wiesenthal, organização judaica de defesa dos direitos humanos, pediu nesta quinta-feira, 2, ao PT a anulação de um acordo recente fechado com o Partido Baath da Síria. O grupo afirma que o convênio vai afetar a credibilidade democrática do partido.   O PT, porém, rechaçou as críticas do centro judaico e disse que vai manter o convênio. "O Centro Wiesenthal é respeitável", mas usa "argumentos primários e cínicos", disse à Reuters Valter Pomar, secretário de relações internacionais do partido.   O PT assinou em maio, em Damasco, um acordo de cooperação com o Partido Baath Árabe Socialista da Síria, para "trocar idéias e pontos de vista a respeito de causas comuns" e "coordenar" posições em congressos e fóruns internacionais. O partido Baath "encabeça há décadas em seu país um regime autoritário que desconhece o respeito pelos direitos humanos", disse o centro, que tem sede em Los Angeles, numa carta ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e a Pomar.   "Causa profunda decepção que um partido como o PT, que se valeu das regras do Estado de Direito para ascender à Presidência do Brasil, omita a promoção da democracia dos valores indispensáveis no momento de estabelecer seus acordos de cooperação em nível internacional", afirma o grupo judaico na carta.   Ainda segundo Pomar, "a crítica à política norte-americana no Oriente Médio" foi o que motivou o acordo entre o PT e o Baath. Ele afirmou que o PT "não tem interesse em participar das operações de isolamento da Síria".   Segundo o centro, que se dedica a resgatar as lições do Holocausto para aplicá-las na luta contra a discriminação, a Síria, sob a liderança do Partido Baath, deu guarida ao criminoso de guerra Alois Brunner.

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