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Ong diz que Brasil é tolerante com trabalho escravo

Existiam pelo menos 25 mil trabalhadores escravos no Brasil em 2002. A informação faz parte do relatório anual lançado pela Human Rights Watch, uma das principais organizações não-governamentais do mundo que atua na área de defesa dos direitos humanos. "As autoridades locais, incluindo forças policiais, procuradores e tribunais, são tolerantes diante desses abusos dos direitos humanos", afirma a ong, reconhecendo que o cálculo do número de trabalhadores escravos foi baseado em informações obtidas pela Comissão Pastoral da Terra. Segundo a entidade, "o trabalho escravo, que havia sido abolido em 1888, reapareceu no Brasil nos últimos anos". A ong aponta que a prática está concentrada nos estados do Norte e Nordeste, principalmente na indústria madeireira. A Human Rights Watch destaca que o Ministério do Trabalho conseguiu libertar cerca de 1,4 mil pessoas de trabalhos forçados no ano passado. "Esses trabalhadores foram encontrados em uma situação de desnutrição e sofrendo doenças como malária e hepatite", afirma o relatório. Era FHCA ong aponta que, apesar dos esforços do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para lidar com as violações aos direitos humanos, os progressos em seus oito anos de mandato foram "limitados". Problemas como brutalidade da polícia, condições das prisões e liberdade de imprensa, além do trabalho escravo ainda são graves no País. Os salários baixos, pouco treinamento e equipamento inadequado da polícia acabam contribuindo ainda mais para a generalização da corrupção e da violência da polícia. Só quatro dos 26 estados brasileiros contam com ombudsman em suas polícias, entre eles São Paulo, Pará, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O problema das policias também é observado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. Em seu relatório de 2002, os norte-americanos apontam que as forças do estado estão envolvidas em assassinatos extrajudiciais, prisões arbitrárias e tortura. O Departamento de Estado ainda lamenta que governos estaduais não conseguem investigar e processas violações aos direitos humanos de forma apropriada.

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