ONG critica uso de verba do Congresso em período eleitoral

Representantes de entidades e acadêmicos que monitoram o comportamento das Casas legislativas no País condenaram ontem o uso de verba indenizatória por parlamentares que estão em campanha eleitoral. Segundo levantamento realizado pelo Estado, 31 deputados e 3 senadores de 14 partidos gastaram mais de R$ 600 mil desde julho, período em que plenários, sessões e comissões estão praticamente vazios - o chamado "recesso branco".Para o diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Abramo, está claro que os parlamentares estão "viajando por aí às custas do contribuinte" para promover suas candidaturas. "Como não tem sessão, eles estão gastando o dinheiro no quê? E cadê as notas fiscais comprobatórias dessas despesas?", indagou. "Evidentemente é um dinheiro usado pelos parlamentares para fazer campanha."Abramo acredita ainda que somente a existência da verba já é um absurdo. "Alegadamente ela serve para o exercício do mandato. Mas nós acompanhamos o uso dela sistematicamente e os números são completamente absurdos", explicou. O cientista político e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer concorda com Abramo e considera a situação "lamentável". Para ele, mudanças dependem de pressão popular. O caminho para o fim da verba indenizatória, segundo Fleischer, é possivelmente o mesmo adotado pelo Congresso norte-americano para regular as despesas dos parlamentares. "Eles fecharam diversos buracos para corresponder à opinião pública", explicou.Segundo o acadêmico, porém, o caminho é longo e uma alternativa seria provocar uma manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF), como ocorreu em relação ao nepotismo. "O uso da verba é tradicional e o Brasil continua mal no quesito transparência."

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