ONG britânica critica País por morte de guaranis

A Survival International acusa governo de não dar resposta adequada a problemas de má nutrição

Jamil Chade e Paulo Darcie, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

Membros do grupo indígena guarani estão sofrendo de má nutrição e a resposta do governo brasileiro não está sendo adequada. Sob esse alerta da entidade britânica Survival International, que apresenta dados preocupantes sobre a situação dos indígenas no Mercosul, a Organização das Nações Unidas (ONU) comemora hoje em todo o mundo o Dia Internacional das Populações Indígenas, estimadas em 370 mil indivíduos em 70 países.Segundo a Survival International, os problemas de saúde com os guaranis estão sendo notados tanto no Brasil como na Argentina. Na região de Iguaçu, por exemplo, 50% das crianças do grupo estão malnutridas. Em apenas uma comunidade na Argentina, nove morreram de fome em menos de um ano.O problema também atinge níveis alarmantes em Mato Grosso do Sul, onde mais de 11 mil indígenas vivem na reserva de Dourados. No dia 1º de agosto, um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que a desnutrição entre as crianças guaranis caiu 82%, a morte de Francieli de Souza, de 2 anos, por motivos relacionados à subnutrição, chamou atenção para precariedade da situação.Segundo o diretor do Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Wanderlei Guenka, depois de 1999, quando a entidade passou a ser responsável pela saúde indígena, a mortalidade infantil era de 140 mortos por mil nascimentos, e hoje, na reserva de Dourados, é de apenas 24 por mil.CESTASPara a Survival International, no entanto, os alimentos distribuídos pelo governo não são apropriados ao padrão de vida dos indígenas, o que dá espaço a doenças e um nível elevado de desnutrição. Guenka, no entanto, argumenta que a cesta de 22 quilos, composta por arroz, feijão, macarrão, fubá e óleo de soja, não é considerada uma cesta básica, e sim complementar. ''''Esses alimentos vêm para complementar o que os indígenas já produzem, como mandioca, verduras e tabaco'''', explica.Ele afirma que um acordo entre Funasa, Fundação Nacional do Índio (Funai), governo de Mato Grosso do Sul e Ministério do Desenvolvimento Social visa a resolver o problema do fornecimento de cestas básicas a populações indígenas. ''''O ministério comprará, o governo estadual vai empacotar e a Funasa e a Funai serão responsáveis pela distribuição'''', contou. ''''A partir do dia 15 de agosto a situação se normalizará'''', garante.Outra acusação da entidade britânica se refere ao fato de que muitos indígenas estão se vendo obrigados a trabalhar nas colheitas de cana-de-açúcar e soja no Centro-Oeste brasileiro. Mesmo assim, de acordo com a Survival International, o que ganham não é suficiente para manter suas famílias.

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