ONG ataca soltura de suspeito de crime

Tribunal da Paraíba libertou acusado de envolvimento em homicídio

Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

02 de abril de 2009 | 00h00

A ONG Justiça Global denunciará nesta sexta-feira à Comissão Interamericana de Direitos Humanos a libertação, pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, de José Nilson Borges, um dos acusados de envolvimento no assassinato do militante de direitos humanos Manoel Bezerra de Mattos Neto, morto a tiros em 24 de janeiro em Pedras de Fogo (PB).Identificado como dono da espingarda usada no homicídio, Borges anteontem foi solto por habeas corpus, mesma medida requerida por outros três acusados do crime. Um quinto suspeito está foragido. Assessor do deputado Fernando Ferro (PT-PE) e vice-presidente do PT paraibano, Mattos atuou na CPI do Extermínio e foi ameaçado por dez anos, mas perdera proteção da Polícia Federal. "Vamos informar a comissão da libertação de José Nilson e da iminência da soltura dos demais", disse a advogada Renata Lira, da Justiça Global.Mattos foi assassinado com tiros no peito e na cabeça, quando participava de uma festa de aniversário. Além de José Nilson, foram presos seu irmão, o ex-PM Cláudio Roberto Borges, o sargento da Polícia Militar Flávio Inácio Pereira e o ex-agente penitenciário José da Silva Martins, o Zé Parafina, que teria atirado. Outro ex-agente, Sérgio Paulo da Silva, também acusado, ainda não foi preso. "Esses são os autores, mas por trás deles existem pessoas de grande influência na região: políticos, comerciantes, donos de engenho, juízes, promotores", acusou Nair Ávila dos Anjos, mãe de Mattos. No Rio para receber a Medalha Chico Mendes de Resistência concedida postumamente ao filho pelo Grupo Tortura Nunca Mais fluminense, Nair denunciou que, como outros familiares do ativista, está sem proteção policial, apesar das ameaças. "Nunca recebi um telefonema, para saber se estava bem ou mal", reclamou.Em 13 de fevereiro, ela foi recebida em Recife pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lhe prometeu providências, mas, até agora, nada foi feito. "O presidente segurou a minha mão e disse: ?O natural é os filhos enterrarem os pais, não os pais enterrarem os filhos?", recordou, emocionada.Além da proteção, a família aguarda resposta a pedidos feitos à Procuradoria-Geral da República para que requeira ao Supremo Tribunal Federal (STF) a federalização do processo. "Se o julgamento for na cidade, não vai dar em nada, ninguém quer ser testemunha, todo mundo tem medo", disse Nair, que estava acompanhada de Alcione Almeida de Lima, que foi mulher de Mattos. A polícia chegou ao grupo a partir de denúncias que levaram a José Nilson e à arma. Ele disse ter emprestado a espingarda - que uma perícia confirmou ter sido usada no assassinato - a Zé Parafina. Os presos trocam acusações a respeito da autoria do crime.

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