‘Onde há corrupção somos obrigados a tomar providência’, afirma Dilma

Apesar da insatisfação do PT por temer que governo Lula seja carimbado de ‘corrupto’, a presidente disse na sexta-feira em Rio Preto (interior de SP) que vai continuar a combater os ‘malfeitos’

Anne Warth, enviada especial de O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2011 | 22h40

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - A presidente Dilma Rousseff deu demonstrações na sexta-feira, 19, de ignorar a inquietação do PT nos bastidores com o impacto político da "faxina" iniciada em julho em ministérios e autarquias federais. Dilma afirmou que o governo federal irá continuar a combater os "malfeitos" na máquina pública e ressaltou que a base aliada no Congresso Nacional também não concorda com a existência de irregularidades na administração federal. Parte do PT, conforme reportagem do Estado publicada na quinta-feira, 18, teme que as medidas carimbem o governo Lula como corrupto.

 

Em entrevista concedida à Rádio Metrópole AM, de São José do Rio Preto (SP), a presidente negou, no entanto, que o objetivo da sua gestão seja apenas combater a corrupção. "Onde houver problemas de corrupção, nós somos obrigados a tomar providências. Eu não faço disso um objetivo central do meu governo", frisou.

 

"O meu governo vai continuar combatendo todos os malfeitos. Agora, o meu governo e o povo brasileiro também não gostam de injustiça", acrescentou.

 

A presidente voltou a defender presunção da inocência e destacou que o governo federal respeita os direitos individuais e a dignidade humana. Ela comentou ainda reportagem publicada na sexta-feira no site da revista inglesa The Economist, segundo a qual a "faxina" que vem sendo promovida pela presidente na Esplanada dos Ministérios pode lhe trazer problemas no Congresso Nacional.

 

"O Brasil hoje tem importância suficiente para as revistas estrangeiras ficarem preocupadas conosco. É um ótimo sinal", reagiu, com ironia. "Agora, infelizmente, as revistas estrangeiras não entendem muito os costumes políticos no Brasil."

 

Lua de mel. A presidente participou na sexta-feira, ao lado do governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, da cerimônia de entrega de 1.993 unidades habitacionais do programa federal Minha Casa, Minha Vida no Parque Residencial Nova Esperança. O clima de lua de mel entre a petista e o tucano continua firme.

 

Na quinta-feira, os dois assinaram convênios para unir a base de dados e o cartão dos programas Minha Casa, Minha Vida e Renda Cidadã. Dilma e Alckmin voaram juntos no avião presidencial para Rio Preto e trocaram gentilezas.

 

Em mais um esforço para mostrar proximidade com o governo federal, Alckmin anunciou que o governo paulista iria unir esforços com a União e ceder terrenos e verba do Estado para o programa Minha Casa, Minha Vida em Rio Preto.

 

"Quero dizer à presidenta Dilma Rousseff que vamos somar esforços para o Minha Casa, Minha Vida. Às vezes falta ou há dificuldade de terreno. Então, aqui em Rio Preto, vamos fazer 585 unidades em conjunto, liberando o terreno que é de propriedade do Estado", afirmou.

 

Dilma retribuiu a gentileza de Alckmin e voltou a defender a união de esforços entre governo federal e estadual em projetos que beneficiem a população. "Nós temos um compromisso com vocês: governar para o bem dessa comunidade de Rio Preto e de todo o Brasil, acima das nossas diferenças partidárias. Na hora da eleição a gente disputa, mas na hora de governar a gente tem de governar olhando o interesse do povo", afirmou.

 

Protestos. A cerimônia foi marcada por protestos de parte do público contra a Prefeitura de São José do Rio Preto e a Câmara Municipal da cidade.

 

O motivo era o chamado "pacotão da maldade", por meio do qual a prefeitura criou 230 cargos comissionados e ainda pretende aprovar mais seis vagas na Câmara e um reajuste de 75% para os políticos. Presentes ao evento, os manifestantes gritavam "Vergonha Rio Preto!" e vaiaram durante todo o tempo o prefeito Valdomiro Lopes (PSB) e o presidente da Câmara, Oscarzinho Pimentel (PSB), que ignoraram os protestos.

 

Logo no início de seu discurso, a presidente fez questão de defender o prefeito. "Peço a vocês que não façam isso. Nós temos de respeitar, é a minha primeira visita a Rio Preto e eu pediria a vocês que tivéssemos uma posição de respeito, lembrando todas as ações que o prefeito Valdomiro Lopes está fazendo aqui nesse condomínio", afirmou, citando como exemplo a construção de creche, escola e unidade básica de saúde.

 

Fora. Foi a primeira vez em 32 anos que um presidente visitou Rio Preto. Com a presença de tantas autoridades, chamou atenção a ausência do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), natural da cidade. Participaram do evento o presidente da Caixa, Jorge Hereda, e os ministros Mario Negromonte (Cidades) e Helena Chagas (Comunicação Social).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.