Onda de invasões do MST atinge áreas produtivas, diz UDR

As 13 fazendas invadidas durante o carnaval pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), no Pontal do Paranapanema e Alta Paulista, são áreas produtivas, segundo o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia. "O MST mente que são improdutivas para justificar o ato criminoso da invasão." Ele contestou também a argumentação de que seriam terras devolutas. As ações que o Estado move sob essa alegação, na tentativa de reaver as terras, são injustas, na opinião do ruralista. "Todos os imóveis desta região têm uma cadeia de domínios que nos leva até o Império, por volta de 1850. Se o Pontal é devoluto, o Estado inteiro também seria." Ele conta que, na época, o domínio de terras era de responsabilidade do imperador, que repassava esse poder também para a Igreja Católica, através de um livro de registro paroquial. "No começo do século passado, já no período republicano, o Estado foi buscar um vício inexistente nesse livro, que nem sequer sofreu uma perícia judicial. Alegou-se que uma assinatura não seria do preposto do imperador, mas é pura discriminação", diz. Ele criticou o papel do Incra no processo, alegando que o órgão federal age como se fosse "o advogado" dos sem-terra. "Um exemplo disso é que, de um modo geral, as áreas invadidas são imediatamente vistoriadas pelo Incra." As ondas de invasões trazem conseqüências negativas para a região. "O Pontal é conhecido em todo o Brasil como a capital dos sem-terra. A insegurança fundiária bloqueia os investimentos dos próprios proprietários e dos investidores da agroindústria e do agronegócio." Segundo ele, a região ocupou, nas últimas duas décadas, o penúltimo lugar em desenvolvimento no Estado. Nabhan defende a regularização das terras, pretendida pelo governador José Serra, mas diz que a questão fundiária deve ser tratada sem influências ideológicas ou políticas. "O governo Serra representa para nós uma luz no fim do túnel. A saída é um acordo entre os proprietários rurais e o Estado para pôr fim a esse entrave." Ele disse que poucos fazendeiros têm se mostrado propensos a negociar com o Estado, porque os valores envolvem pagamento em Títulos da Dívida Agrária (TDA), com longo prazo de resgate. "O que ocorre é que um proprietário sofre tanta pressão com as invasões do MST, acaba cedendo e entregando seu imóvel."

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