OMS lança plano para reconhecer medicina alternativa

Um número cada vez maior de pacientes está sendo seduzido pelos benefícios da medicina alternativa. Nos países em desenvolvimento, 80% da população já se utilizou de métodos não-tradicionais de cura e, nas economias industrializadas, a proporção cresce a cada ano. O aumento da popularidade de práticas alternativas, apesar de ser elogiada pela comunidade internacional, também preocupa. O motivo: poucos países possuem leis que regulamentam esse tipo de medicina e a grande maioria dos produtos não passa por uma avaliação científica.Para reverter esse cenário, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um plano global para conseguir, até 2005, que os países adotem políticas de saúde que incluam a medicina alternativa. "Até agora, apenas 25 países dos 191 da OMS contam com leis que regulamentam esse tipo de prática", afirma a Organização. Segundo a OMS, a vantagem das práticas alternativas estão comprovadas e, em muitos países pobres, esse tipo de medicina pode ajudar a evitar uma nível de mortalidade ainda mais alto.A acupuntura é reconhecidamente um tratamento para dores, técnicas de relaxamento são utilizadas com eficiência para diminuir insônia e yoga contra ataques de asma. Mesmo no caso de doenças crônicas, como a malária, algumas ervas e plantas conhecidas a mais de mil anos são recomendadas para seu tratamento. Apesar de algumas dessas práticas serem conhecidas a mais de mil anos, apenas nos últimos anos é que o mercado descobriu esse segmento.Atualmente, a medicina alternativa movimenta US$ 60 bilhões anuais. Na França, por exemplo, 75% da população já recorreu pelo menos uma vez à medicina alternativa e, na Inglaterra, US$ 2,3 bilhões são gastos pela população por ano na medicina alternativa. O problema é que, sem uma regulamentação mínima, as práticas podem acabar gerando ainda mais doenças.Um exemplo é o do uso da erva chinesa Ma Huang, utilizada como descongestionante nasal. Levada aos Estados Unidos, a erva começou a ser receitada para emagrecimento, o que gerou ataques cardíacos em pelo menos uma dúzia de pessoas. "Fatos como esse dão motivos para que a medicina alternativa seja vítima de muitas críticas", afirma Yasuhiro Suzuki, diretor do Departamento de Tecnologia da Saúde da OMS.

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