OMS lança guia para regulamentação de terapias alternativas

O aumento do consumo de remédios e terapias alternativas está preocupando a Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência de Saúde da ONU alerta que, apesar de a maioria desses remédios apresentar efeitos positivos, seu consumo precisa ser monitorado para evitar problemas colaterais. Segundo a OMS, apenas sua unidade de pesquisa detectou 3 milhões de casos de efeitos negativos de remédios e terapias alternativas nos últimos 15 anos, volume que a entidade acredita representar apenas 1% dos casos de complicações geradas pelo consumo desses produtos.Para reverter essa situação, a entidade lança nesta quarta-feira um guia com recomendações aos países sobre como deve ser feito o consumo e regulamentação dessas práticas. O ponto central das recomendações é o de alertar ao público de que devem questionar a qualidade dos remédios antes de consumí-los. Além disso, as terapias devem ser monitoradas por especialistas.Cerca de 80% da população dos países em desenvolvimento depende da medicina alternativa para atender suas necessidades mais básicas de saúde. Já nos países ricos, o aumento do consumo de remédios alternativos ocorre diante da busca de muitos por produtos naturais, considerados como sinônimo de saúde. O que a OMS constata é que o aumento da procura por esses produtos está sendo acompanhado por um aumentos de problemas detectados por médicos. Na China, 9,8 mil casos de reações negativas de remédios alternativos foram registrados apenas em 2002. Entre 1990 e 1999, os casos detectados somaram 4 mil.Um dos problemas é a falta de controle do que é vendido. Em uma pesquisa feita pela OMS com 142 países, 99 responderam que os remédios alternativos são vendidos sem receitas. A agência da ONU, portanto, sugere em seu guia que os governos trabalhem para sensibilizar a população sobre o consumo desses produtos e que os sistemas de saúde sejam utilizados para dar orientações nesse sentido. A OMS também sugere que os especialistas em terapias alternativas sejam registrados e que essas práticas e remédios sejam incluídos em seguros de saúde.

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