OMS alerta para pandemia de gripe até 2010

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um alerta durante a última reunião do seu comitê executivo: a necessidade de os países se prepararem para uma pandemia de gripe. Provocada por uma mutação do vírus Influenza, o problema é esperado para até o ano 2010. A OMS sugeriu aos países que preparassem planos nacionais de contingência, para evitar tragédia de proporções semelhantes à provocada durante a Gripe Espanhola, que em 1918 causou mais de 40 milhões de mortes. Entre as recomendações, que serão formalizadas em abril, está o aumento do número de pessoas vacinadas contra a doença. A meta é chegar a 70% da população idosa até 2005. ?Esse índice já atingimos. Mesmo assim, precisamos aumentar os esforços para que a população se convença da importância da imunização?, afirmou ontem o diretor do Centro Nacional de Epidemiologia da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Jarbas Barbosa. Ele lembrou que há ainda uma parcela significativa da população que confunde os sintomas provocados por outros vírus ou bactérias com uma gripe. E essas pessoas muitas vezes atribuem os problemas a uma reação da vacina. ?Além disso, a vacina contra a gripe contraria o senso comum, que é a imunização longa.? No caso da gripe, ela precisa ser renovada anualmente. A Campanha de Vacinação contra a Influenza para o idoso está programada para a segunda semana de abril. O objetivo é imunizar 10,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Surto Nesta segunda-feira, durante o primeiro dia de um encontro para discutir o Programa Nacional de Imunização, Barbosa fez uma crítica aos boletins sobre cobertura vacinal feitos em alguns pontos do País. Ele citou o caso recente de surto de febre amarela em Serro, Minas. Embora boletins informassem que 100% da população estava protegida contra a doença, 38 casos suspeitos foram confirmados até o dia 29 de janeiro. Segundo ele, é preciso fazer uma avaliação real de cada microrregião de saúde. ?A vacinação não pode ser passiva. Precisamos procurar onde há população de risco e ali fazer um esforço concentrado?, disse. Ele observou que, se isso não estiver sendo feito de forma adequada, há o risco de uma parcela da população receber doses desnecessárias de vacina e, ao mesmo tempo, habitantes de áreas de risco deixarem de ser vacinados. O representante no Brasil da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Jacobo Finkelman, avalia que o País precisa melhorar a comunicação entre laboratórios que detectam alterações no vírus e os centros epidemiológicos. ?Há sempre algo a ser melhorado. É preciso trazer maior agilidade, para que medidas rápidas sejam tomadas, se algum problema for apresentado.? Isso vale tanto para uma cepa mais agressiva do vírus da influenza quanto para o aparecimento de novos agentes patológicos: ?Vivemos sob ameaça de uso de armas bacteriológicas. Se houver o ressurgimento da varíola, por exemplo, precisamos estar preparados.?

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