OMS alerta para maltrato de idosos

A morte de Vera Kuhn Macedo, de 63 anos, pelo neto Gustavo de Macedo Pereira Napolitano, e a agressão à aposentada Luciana Aparecida Vieira Pinto por sua empregada, Fátima Antônio, reflete um alerta grave dado pela Organização Mundial de Saúde (OMS): hoje, entre 4% a 6% de pessoas idosas estão sendo maltratadas no lar.Além disso, o problema poderá tornar-se ainda maior pelo fato de a população mundial estar envelhecendo rapidamente. O alerta consta do relatório "Violência e Saúde", cuja publicação em português foi lançada nesta quinta-feira em Brasília.A OMS alertou, ainda, que o tipo de violência contra os anciãos se iguala às perpetradas contra as crianças, como agressões físicas, sexuais e psicológicas, assim como negligência. "As pessoas idosas são especialmente vulneráveis a abuso econômico, quando familiares ou responsáveis de cuidados usam indevidamente os seus fundos e recursos", afirma o documento.Em apenas uma semana, só em São Paulo foram registrados dois casos graves de violência contra o idoso. O primeiro foi no início da semana, quando Gustavo Napolitano esfaqueou sua avó Vera até a morte. Além dela, Napolitano, sob o efeito de cocaína assassinou a empregada Cleide Ferreira da Silva. O segundo caso foi registrado por uma câmera de televisão, que mostrou Fátima Antônio agredindo covardemente Luciana, de 92 anos. A mulher morreu de traumatismo craniano dias depois.O relatório da OMS mostrou ser a violência a causa de 183 mortes por hora em todo o mundo. O Brasil continua na segunda colocação no ranking da América latina, ficando atrás apenas da Colômbia. "Nossa taxa fica em torno de 26 casos para cada 100 mil habitantes", confirma o secretário nacional dos Direitos Humanos, Paulo Sérgio Pinheiro, acrescentando que o mais preocupante é que os índices são crescentes entre os mais jovens. "É nesta faixa etária que está o maior contigente de vítimas no País."Para Pinheiro, o maior incentivo à violência no Brasil continua sendo o acesso fácil da população às armas. "Temos uma lei rígida, mas os Estados não acompanham a legislação federal", critica o secretário, que não economizou críticas também ao Congresso Nacional, onde está tramitando o projeto do governo que regulamenta o porte de arma. "Quando há campanha, a demagogia baba em sangue e, quando eleitos, esquecem o sangue e não votam o que tem que ser votado. Se aprovou mais bravata, sirenes, capacetes."Para o secretário, o governo federal fez sua parte, como o Plano Nacional de Segurança Pública, que não teve resultado satisfatório por causa de sua execução. "O plano não foi suficientemente monitorado. Os Estados, em geral, não cumpriram com seu papel e, além disso, houve uma baixa integração entre todos", diz Pinheiro. "Hoje, nós temos que impedir os tubarões do tráfico, não os pequenos aviões. Houve um coquetel de omissão, conivência e corrupção."

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