OMC rejeita candidatura de Ellen

Justificativa é de que ministra do STF não entende de comércio; posto de juiz da entidade fica com mexicano

Jamil Chade e Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

A Organização Mundial do Comércio (OMC) rejeitou ontem a candidatura da brasileira Ellen Gracie Northfleet, ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), para o posto de juíza da entidade. O eleito foi o advogado mexicano Ricardo Ramirez. A OMC informou ao Itamaraty ter avaliado que Ellen Gracie não conhecia comércio, a matéria que teria de julgar. O resultado acrescenta mais uma derrota na lista de campanhas frustradas do País nos organismos internacionais.O Itamaraty soube por fontes nos bastidores que a estratégia de governos latino-americanos era não deixar o Brasil permanecer de forma indefinida no cargo máximo do tribunal da OMC. Luís Olavo Baptista já ocupara por oito anos o posto e a eventual eleição de Ellen Gracie significaria 16 anos de hegemonia brasileira no cargo. UNESCOA derrota do Itamaraty vem em um momento no qual o governo decidiu não apoiar o brasileiro Márcio Barbosa para o posto máximo na Unesco. Em seu lugar, vai endossar o egípcio Farouk Hosni, criticado por intelectuais de todo o mundo.Na OMC, a candidatura era para um dos dois lugares que se abriam para juiz máximo - incumbido de julgar alguns dos casos mais polêmicos do comércio internacional, principalmente em um momento de recessão e ameaça de proliferação de medidas protecionistas. Ellen Gracie, se eleita, seria um dos sete juízes do Orgão de Apelação da OMC, instância máxima do comércio.Durantes as sabatinas, porém, a ministra reconheceu que "não era uma perita" em comércio internacional - nunca publicou um artigo sobre o assunto. A decisão de rejeitá-la foi tomada pelo comitê de seleção da OMC, composto pelo diretor da entidade, Pascal Lamy, além de embaixadores da Noruega, do Chile, do Canadá, da Nigéria e de Cingapura. Todos os demais candidatos latino-americanos ao cargo eram especialistas em comércio internacional. Além do mexicano, concorriam um argentino e um representante da Costa Rica. A segunda vaga de juiz da OMC, destinada a um representante dos países ricos, coube à Bélgica.Na campanha por Ellen Gracie, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva investiu seu prestígio internacional. Fontes diplomáticas em Genebra confirmaram que Lula ligou diretamente para chefes de Estado, pedindo apoio à candidata - o que, aliás, teria irritado os mexicanos.FALTASPara se dedicar à candidatura na OMC, Ellen Gracie se tornou recordista em faltas no Supremo - não esteve em 9 das 24 sessões plenárias neste ano. Alguns colegas passaram a criticá-la. Reservadamente, diziam que deveria deixar o tribunal antes de disputar vaga em outro órgão. A insatisfação começou quando ela, ainda presidente do STF, tentou uma indicação para a Corte de Haia. Acabou derrotada, mas não desistiu do projeto de carreira internacional. Ontem sofreu novo revés.

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