OMC quer escritórios em países em desenvolvimento

A Organização Mundial do Comércio (OMC) poderá ter um escritório na América Latina. Esse é o projeto do próximo diretor-geral de entidade, Supachai Panitchpakdi, que quer levar a OMC até os países em desenvolvimento. O tailandês, que assume o cargo em setembro no lugar do neozelandês Mike Moore, no entanto, tem recebido muitas críticas dos países pobres por causa das dificuldades que esses governos têm para participar das reuniões da OMC.A organização foi criada, em Genebra, como um fórum que daria a possibilidade para que todos os países, mesmo aqueles sem poder econômico, pudessem defender seus interesses comerciais e apresentar queixas contra o protecionismo dos países centrais. Mas a realidade é que alguns governos sequer têm recursos para pagar advogados que defenderiam os casos de suas empresas na OMC."Se não temos recursos para pagar os juristas, como é que podemos nos utilizar da estrutura da OMC", reclama um diplomata da Ásia Central. A OMC criou um fundo para dar assistência jurídica a esses países, mas a maioria dos governos acredita que a iniciativa ainda não é suficiente para corrigir as dificuldades. Além disso, muitos países pobres não contam com missões diplomáticas em Genebra e, portanto, não são representados nas negociações comerciais da OMC. As representações da OMC pelo mundo teriam o objetivo de garantir que os governos tenham acesso aos documentos da organização e ainda seriam locais para o treinamento de diplomatas. Com o projeto, o próximo diretor-geral de entidade pretende também dar mais transparência nos processos decisórios da OMC e garantir que todos os países possam ser ouvidos durante as negociações."Por isso precisamos levar a OMC para fora de Genebra. Ao criar escritórios nas regiões menos desenvolvidas, podemos conseguir um maior envolvimento dos países nas negociações", esclarece. "Temos que estar abertos aos países", afirmou Supachai Panitchpakdi, que também defenderá a abertura de escritórios na África e na Ásia. Ele não definiu, no entanto, em quais locais esses escritórios seriam estabelecidos.

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