OMC aprova estratégia global contra a obesidade

Em uma iniciativa que foi marcada pela pressão de produtores de açúcar e de empresas de alimentos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a primeira estratégia global contra a obesidade e por uma dieta saudável. Os negociadores dos mais de 180 países já haviam batido o martelo sobre o texto na sexta-feira, mas faltava a adoção final por parte da Assembléia Mundial da Saúde. Apesar de aprovado, o Brasil fez questão de declarar que estava "preocupado" com um eventual uso da estratégia para legitimar políticas agrícolas protecionistas por parte de outros governos. Com a estratégia, a OMS espera reduzir o número de doenças não-transmissíveis, como diabete e câncer, que representam 60% das mortes no mundo. A estratégia prevê, entre vários aspectos, que seja reduzido o consumo de açúcar e de gorduras e que esses hábitos alimentários sejam substituídos por frutas e legumes. O plano ainda prevê medidas no campo da educação e maiores informações em embalagens sobre o conteúdo de alimentos industrializados. Em uma mensagem indireta a países como Brasil e Estados Unidos que tentaram suavizar as referências sobre os limites de consumo do açúcar, a OMS declarou que os aspectos relacionados à saúde "prevalesceram" sobre outros interesses. "Com essa iniciativa, governos poderão desenvolver estratégias nacionais para reduzir os custos sociais, econômicos e humanos das doenças não-transmissíveis" afirmou Jong-wook Lee, diretor da OMS. Para o Brasil, o desafio agora é transformar a iniciativa em uma estratégia nacional. Para isso, um grupo formado por 12 ministérios irá debater o assunto, acompanhado de perto pela indústria açucareira.

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