Olívio Dutra apresenta à ONU crescimento de favelas no Brasil

O número de brasileiros residentes em favelas subiu a uma taxa de 4,5% ao ano, entre 1991 e 2000, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No mesmo período, a média de crescimento do total da população foi de 1,6% ao ano. A combinação de fatores, como o aumento do número de pessoas que vivem em áreas urbanas - em menos de 50 anos, 80% dos brasileiros passaram a morar em cidades ? e um modelo excludente de desenvolvimento, levou ao crescimento da quantidade de favelas e assentamentos precários existentes no Brasil. Esse foi o quadro apresentado neste domingo pelo ministro das Cidades, Olívio Dutra, em Barcelona, durante reunião com membros da força-tarefa da Organização das Nações Unidas (ONU) encarregada de definir estratégias para o cumprimento das Metas do Milênio relacionadas à melhoria da condição de vida dos moradores de favelas. Também fazem parte da delegação brasileira que viajou à Espanha os secretários nacionais de Habitação, Jorge Hereda, e de Programas Urbanos, Raquel Rolnik. De acordo com as Nações Unidas, em todo o mundo, cerca de 900 milhões de pessoas passam por problemas semelhantes aos enfrentados por brasileiros que não têm acesso à moradia digna. No Brasil, existem favelas em 1,5 mil dos 5,561 mil municípios, de acordo com Dutra. A estimativa da ONU é que mais de metade da população mundial viva em centros urbanos. No Brasil, um dos agravantes, segundo o ministro, é que 60% do total de moradores que vivem em áreas se concentram em 224 municípios com mais de cem mil habitantes. Ele destacou também que, nos primeiros 20 meses do governo Luiz Inácio Lula da Silva, foram aplicados 30 % a mais de recursos no setor do que nos oito anos anteriores. Além disso, o governo está direcionando verbas destinadas à moradia para a faixa de até cinco salários-mínimos, em que se concentram 92% do déficit habitacional brasileiro, da ordem de 6,6 milhões de unidades. Proposta brasileiraDutra defendeu a formalização de um acordo internacional para que investimentos em moradia e saneamento para a fatia mais pobre da população sejam excluídos do conceito de dívida, para efeito dos cálculos do superávit primário dos países pobres, devedores e em desenvolvimento. Segundo ele, nas próximas duas décadas, é preciso investir R$ 20 bilhões, a cada ano, para garantir moradia digna e saneamento para as famílias de baixa renda no Brasil.O co-coordenador da força-tarefa da ONU, Pietro Garau, disse hoje que a proposta brasileira será discutida nas próximas reuniões do grupo e que, se for aprovada pelos membros do coletivo, poderá originar uma resolução. As informações são da Agência Brasil.

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