Olavo de Carvalho externou críticas a Bolsonaro antes de morrer

Apesar das homenagens póstumas do governo de Jair Bolsonaro, o filósofo vinha tornando públicas críticas ao presidente da República antes de pegar covid-19 e morrer nos Estados Unidos

Redação - O Estado de S.Paulo

A morte do escritor Olavo de Carvalho nesta segunda-feira, 24, levou o presidente Jair Bolsonaro a decretar luto oficial de um dia em todo o País. O governo também emitiu nota oficial para lamentar o falecimento do ideólogo, que exerceu grande influência na formação da chamada "nova direita", que impulsionou a eleição do presidente. Contudo, a relação entre o escritor e o chefe do Executivo se deteriorou ao longo da gestão, após o pleito de 2018. 

Em uma de suas últimas aparições, Olavo chamou o mandatário de “covarde” e apostou que "a briga está perdida" em 2022. 

Extremista, Olavo inspirou o que se convencionou chamar de “bolsonarismo raiz” e tinha grande influencia sobre a ala ideológica do governo, que ganhou destaque nos ministérios da Educação e das Relações Exteriores, por exemplo. No início do mandato, Bolsonaro indicou dois ministros bastante próximos ao escritor — Ernesto Araújo, ex-titular das Relações Exteriores, e Ricardo Vélez, ex-chefe da Educação. 

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Olavo de Carvalho recebeu homenagens do governo, mas direcionou diversas críticas ao presidente Bolsonaro nos últimos anos. Foto: Reprodução/YouTube

Poucos meses após a vitória de Bolsonaro, Olavo já citava críticas à gestão do presidente. Em março de 2019, o escritor compareceu a um evento organizado pelo ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon. Lá, afirmou que amava o chefe do Planalto, mas que o governo ia mal por estar cercado de militares “traidores” e chamou o vice-presidente Hamilton Mourão de “idiota”. 

Em maio de 2020, conforme o governo ia acumulando polêmicas, Olavo afirmou à BBC Brasil que era possível chamar Bolsonaro de “burro”. Disse, porém, que ele não seria ladrão. Em junho daquele ano, acrescentou os adjetivos “fraco” e “covarde” ao se referir presidente. 

“Quer levar um processo de prevaricação da minha parte? Se esse pessoal não consegue derrubar o governo, eu derrubo”, escreveu no Twitter. Na mesma ocasião, disse que continuava ao lado do presidente, mas que não traria mais “palavras doces”.

Já em outubro daquele ano, Olavo tornou-se alvo do perfil anti-fake news Sleeping Giants, que fez uma campanha contra o escritor e provocou 250 financiadores a dissociarem suas marcas dos conteúdos publicados por ele. No mês seguinte, voltou a atacar Bolsonaro: “Se você não é capaz  nem de defender a liberdade dos seus mais fiéis amigos, renuncie e vá para casa”, publicou. Em outra ocasião, defendeu que o presidente era um “fracasso” na luta contra o comunismo.

No ano passado, Olavo protagonizou vários embates com o governo e criticou Bolsonaro. Chegou a dizer a aliados, em mais de uma ocasião, que se sentia abandonado pelo presidente. O escritor dizia estar decepcionado com o mandatário por considerar ter sido usado por ele como uma espécie de “garoto propaganda” na campanha. 

No mês passado, Olavo voltou a chamar o presidente da República de “covarde”, “prefeito do interior” e apostou que ele não terá chances no pleito deste ano. Comentando a eleição deste ano, o escritor afirmou que a “briga já está perdida”, mas que defendia voto em Bolsonaro por “falta de opção”.

Diante do falecimento do escritor, esta foi a segunda vez que Bolsonaro decretou luto oficial desde o início do governo. A primeira foi em junho do ano passado, quando morreu o ex-vice-presidente Marco Maciel. Na ocasião, o luto foi de três dias. Na nota de pesar divulgada pelo Palácio do Planalto, o escritor é definido como “intransigente defensor da liberdade”, que deixa como legado “um verdadeiro apostolado a respeito da vida intelectual”.

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Olavo de Carvalho externou críticas a Bolsonaro antes de morrer

Apesar das homenagens póstumas do governo de Jair Bolsonaro, o filósofo vinha tornando públicas críticas ao presidente da República antes de pegar covid-19 e morrer nos Estados Unidos

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A morte do escritor Olavo de Carvalho nesta segunda-feira, 24, levou o presidente Jair Bolsonaro a decretar luto oficial de um dia em todo o País. O governo também emitiu nota oficial para lamentar o falecimento do ideólogo, que exerceu grande influência na formação da chamada "nova direita", que impulsionou a eleição do presidente. Contudo, a relação entre o escritor e o chefe do Executivo se deteriorou ao longo da gestão, após o pleito de 2018. 

Em uma de suas últimas aparições, Olavo chamou o mandatário de “covarde” e apostou que "a briga está perdida" em 2022. 

Extremista, Olavo inspirou o que se convencionou chamar de “bolsonarismo raiz” e tinha grande influencia sobre a ala ideológica do governo, que ganhou destaque nos ministérios da Educação e das Relações Exteriores, por exemplo. No início do mandato, Bolsonaro indicou dois ministros bastante próximos ao escritor — Ernesto Araújo, ex-titular das Relações Exteriores, e Ricardo Vélez, ex-chefe da Educação. 

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Olavo de Carvalho recebeu homenagens do governo, mas direcionou diversas críticas ao presidente Bolsonaro nos últimos anos. Foto: Reprodução/YouTube

Poucos meses após a vitória de Bolsonaro, Olavo já citava críticas à gestão do presidente. Em março de 2019, o escritor compareceu a um evento organizado pelo ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon. Lá, afirmou que amava o chefe do Planalto, mas que o governo ia mal por estar cercado de militares “traidores” e chamou o vice-presidente Hamilton Mourão de “idiota”. 

Em maio de 2020, conforme o governo ia acumulando polêmicas, Olavo afirmou à BBC Brasil que era possível chamar Bolsonaro de “burro”. Disse, porém, que ele não seria ladrão. Em junho daquele ano, acrescentou os adjetivos “fraco” e “covarde” ao se referir presidente. 

“Quer levar um processo de prevaricação da minha parte? Se esse pessoal não consegue derrubar o governo, eu derrubo”, escreveu no Twitter. Na mesma ocasião, disse que continuava ao lado do presidente, mas que não traria mais “palavras doces”.

Já em outubro daquele ano, Olavo tornou-se alvo do perfil anti-fake news Sleeping Giants, que fez uma campanha contra o escritor e provocou 250 financiadores a dissociarem suas marcas dos conteúdos publicados por ele. No mês seguinte, voltou a atacar Bolsonaro: “Se você não é capaz  nem de defender a liberdade dos seus mais fiéis amigos, renuncie e vá para casa”, publicou. Em outra ocasião, defendeu que o presidente era um “fracasso” na luta contra o comunismo.

No ano passado, Olavo protagonizou vários embates com o governo e criticou Bolsonaro. Chegou a dizer a aliados, em mais de uma ocasião, que se sentia abandonado pelo presidente. O escritor dizia estar decepcionado com o mandatário por considerar ter sido usado por ele como uma espécie de “garoto propaganda” na campanha. 

No mês passado, Olavo voltou a chamar o presidente da República de “covarde”, “prefeito do interior” e apostou que ele não terá chances no pleito deste ano. Comentando a eleição deste ano, o escritor afirmou que a “briga já está perdida”, mas que defendia voto em Bolsonaro por “falta de opção”.

Diante do falecimento do escritor, esta foi a segunda vez que Bolsonaro decretou luto oficial desde o início do governo. A primeira foi em junho do ano passado, quando morreu o ex-vice-presidente Marco Maciel. Na ocasião, o luto foi de três dias. Na nota de pesar divulgada pelo Palácio do Planalto, o escritor é definido como “intransigente defensor da liberdade”, que deixa como legado “um verdadeiro apostolado a respeito da vida intelectual”.

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