Okamotto nega ter ameaçado Valério de morte e diz que Lula deve responder por reunião

Assessor de Lula disse não ter lido reportagem do Estado, que traz detalhes sobre novas acusações de Valério

Andrei Netto, correspondente de O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2012 | 12h30

PARIS - Paulo Okamotto, assessor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, negou nesta terça-feira, 11, em Paris, que tenha ameaçado o publicitário Marcos Valério de morte caso ele denunciasse o envolvimento de personalidades do Partido dos Trabalhadores (PT) no esquema do mensalão. Pouco antes de participar como painelista do Fórum do Progresso Social, Okamotto afirmou que não vê novas denúncias no testemunho de Valério à Procuradoria Geral da República e que Lula tem de responder por ele mesmo.

Interpelado pelo Estado antes de participar do fórum, ao lado de Lula, da presidente Dilma Rousseff e do presidente da França, François Hollande, Okamotto disse não ter lido a reportagem de capa da edição desta terça de O Estado de S. Paulo, que traz detalhes sobre o depoimento de Marcos Valério. Questionado sobre se o ex-presidente havia lido, o assessor disse que Lula "não lê o Estadão".

A reportagem explicou os fatos relatados por Valério à Procuradoria Geral, entre as quais a de que Lula teria dado seu "ok" ao Mensalão. "Meu nome não é Lula. Se teve esse negócio, eu não estava nessa reunião. Tem de perguntar para o Lula um negócio desses", alegou. Sobre a denúncia de que o esquema também teria pagado contas pessoais da família do ex-presidente, o assessor afirmou: "Que contas pessoais? Tem de perguntar para o Lula".

Indagado sobre as supostas ameaças de morte que teria feito a Valério, Okamotto devolveu a pergunta. "Eu ameacei ele de morte? Por que eu vou ameaçar ele de morte?", questionou. "Está nos autos que eu ameacei ele de morte? Duvido! Duvido que ele tenha dito isso!"

Sobre sua suposta declaração afirmando que "gente do PT" o queria morto, Okamotto negou com ênfase. "Não, não, não. Eu não tenho nenhum motivo para desejar o mal a Marcos Valério. Eu o conheci depois do episódio do Mensalão, da história que ele contava que tinha feito empréstimos em nome das empresas dele para ajudar o PT", disse ele. "Isso acabou trazendo um grande transtorno para ele, não é? Ele chegou a ser condenado."

A seguir, o assessor colocou em dúvida a credibilidade das declarações de Valério à Justiça. "Pelo que eu entendi, ele esclareceu toda a imprensa brasileira, discutiu com a Justiça, deu os nomes à Justiça. Suponho que tudo o que ele tinha para falar ele já falou", argumentou. "E até algumas coisas que ele falou a Justiça não levou em consideração, como os empréstimos que ele tinha recebido."

Até aqui, Lula ainda não falou aos jornalistas. Abordado pela reportagem do Estado na saída do hotel Meurice, onde está hospedado em Paris, o ex-presidente não aceitou falar. Outro assessor que acompanha a delegação, Luiz Dulci não quis comentar as declarações de Valério à procuradoria. "Não vi o Estadão hoje. Acordei às 5h da manhã, mas por coisas daqui. Eu estou cuidando das coisas daqui", disse ele.

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