Oito presos e um PM feridos em novo motim no Rio

Oito presos foram atingidos por estilhaços de bombas de efeito moral e um oficial da Polícia Militar foi atingido por pedrada na cabeça, no primeiro conflito ocorrido durante a grevedos agentes penitenciários, deflagrada nosprimeiros minutos deste sábado. Os detentos do presídio Milton Dias Moreira, no Complexo da Frei Caneca, no Centro, iniciaram um motim em protesto contra a suspenção das visitas.Mais de 30 homens do Batalhão de Operações Especiais da Policia Militar (Bope) ocuparam a unidade e abafaram o princípio de rebelião. Ninguém foi ferido com gravidade.Durante a ação do Bope, sons de tiros e explosões foram ouvidos no interior da unidade, que tem 1.100 presos das facções Terceiro Comando e Amigo dos Amigos (ADA). Mulheres de detentos (foto), que esperavam desde cedo para visitar seus maridos, entraram em desespero. Elas chegaram a fechar a Rua Frei Caneca, por alguns minutos.Um agente da unidade, que se identificou como Wilson, contou que os presos tomaram os oito pavilhões do presídio, derrubaram grades e destruíram cadeados e portas de galerias. ?Eles estavam armados de pedras e barras de ferro?, disse.A polícia isolou a adminitração do presídio e dominou um a um os três andares da penitenciária. O motim foi controlado às 11 horas.Depois da ação do Bope, os detentos estenderam cartazes junto às grades da janela em que pediam socorro e informavam que havia dois feridos.?Estão barbarizando?, dizia uma das inscrições. Do alto do Morro de São Carlos, vizinho ao complexo, era possível ver presos nus durante a revista feita pela PM.De acordo com o subsecretário de Unidades Prisionais da Secretaria de Administração Penitenciária, tenente-coronel Francisco Spargoli, o motim foi incentivado porum agente, que gritou para os presos que não haveria visitas.A informação foi contestada pelos guardas. O presidente do sindicato de agentes penitenciários,Paulo Ferreira, disse que o motim começou às oito horas, quando os presos romperam os cadeados. Havia a desconfiança de que um guarda havia sido feito refém.Oitocentos PMs foram mobilizados para reforçar a segurança dos presídios do Estado. Outros 1.200 estão de prontidão nos quartéis. Os agentes grevistas querem reposição salarial de 72%, plano de carreira, unidades prisionais com no máximo 500 presos, e contratação imediata dos 250 aprovados no concurso de dezembropassado.Hoje, 287 PMs reformados trabalham como agentes nas casas de custódia. O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, informou que, por determinação da governadora Rosinha Matheus, o ponto dos agentes será cortado.De acordo com o sindicato, 80% dos agentes aderiram à greve, mas a secretaria informou que houve uma ?relativa adesão?, concentrada no Complexo da Frei Caneca, que tem 2.500 presos.

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