JF Diorio/Estadão
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Oito países latinos investigam a Odebrecht

México, Peru, Equador, Argentina, Colômbia, Guatemala, República Dominicana e Panamá reagiram à divulgação de documentos dos EUA sobre pagamento de propina a autoridades internacionais

Agências Internacionais

23 de dezembro de 2016 | 20h22

BRASÍLIA - Após a divulgação dos documentos do Departamento de Justiça americano (DoJ) sobre o pagamento de propina da Odebrecht a autoridades internacionais, países da América Latina indicaram a abertura de investigações sobre a empresa ou reagiram às notícias. México, Peru, Equador, Argentina, Colômbia, Guatemala, República Dominicana e Panamá se manifestaram sobre o caso.

Na última quarta-feira, 21, o DoJ apontou que a Odebrecht pagou aproximadamente US$ 788 milhões em propina em 11 países além do Brasil para conquista e manutenção de contratos com o poder público. Na cotação de hoje, o valor corresponde a aproximadamente US$ 2,6 bilhões. Os pagamentos foram feitos pelo Setor de Operações Estruturadas, conhecido como o departamento da propina da empreiteira, a autoridades de Angola, Argentina, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela.

O México anunciou, em nota divulgada pela Secretaria de Função Pública (SFP), que irá acompanhar os desdobramentos das denúncias de corrupção envolvendo a atuação da Odebrecht e da Braskem no País e se comprometeu com a investigação dos atos contrários à ética no setor público. A nota foi divulgada pela Secretaria da Função Pública (SFP) do México, órgão que fiscaliza ações do Executivo no País, em parceria com a estatal Petroleos Mexicanos (Pemex).

De acordo com os investigadores americanos, entre 2010 e 2014 a Odebrecht pagou US$ 10,5 milhões em propina para autoridades do governo mexicano, para obter contratos de obras públicas.

Na Argentina, o órgão responsável pelo combate à corrupção disse ter entrado em contato com autoridades brasileiras sobre o assunto. Parlamentares cobraram a investigação dos pagamentos de propina, que teriam ocorrido durante o governo da ex-presidente Cristina Kirchner.

O governo da Colômbia divulgou uma nota afirmando que identificou o servidor público do país acusado de receber US$ 6,5 milhões em propina da Odebrecht, entre 2009 e 2010. Segundo o governo, era "um funcionário do alto escalão" do governo do então presidente Álvaro Uribe. De acordo com os documentos dos EUA, a Odebrecht teria pago a autoridades da Colômbia US$ 11 milhões em propina entre 2009 e 2014, período que abrange parte do governo de Uribe (2002-2010) e o de seu sucessor, o atual presidente, Juan Manuel Santos.

Nesta sexta-feira, 23, o senador Álvaro Uribe fez uma série de declarações em redes sociais questionando Santos sobre "a verdade" dos subornos da Odebrecht e uma reunião que ocorreu em abril de 2015 com os diretores da empreiteira no Panamá e o atual presidente durante a Cúpula das Américas. Para o governo colombiano, as declarações de Uribe foram feitas de maneira tendenciosa. O governo alega que o encontro foi "absolutamente normal".

No Peru, o presidente Pedro Pablo Kuczynski negou ter recebido dinheiro enquanto era primeiro ministro e disse apoiar as investigações sobre a denúncia de propina paga pela Odebrecht ao país, de 2005 a 2014.

A Guatemala informou que irá solicitar uma colaboração dos Estados Unidos para que o Ministério Público entre no caso.

O Panamá também indicou que enviará investigadores aos EUA para buscar informações sobre o caso junto ao DoJ. Os panamenhos, no entanto, já se recusaram a cooperar com as investigações da Lava Jato e não encaminharam documentos bancários solicitados pelo Brasil.

O governo da República Dominicana também se manifestou sobre o caso Odebrecht, por meio do ministro José Ramón Peralta, quem indicou disposição do Executivo local em colaborar com eventual investigações sobre a propina paga pela construtora. A República Dominicana irá aguardar que os documentos divulgados na imprensa cheguem ao país de forma oficial.

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