Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Oito operações fruto da Lava Jato apuram corrupção

Em 15 dias, força-tarefa apresentou resultados de investigações ligadas a empresários de grandes empreendimentos do País

Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2016 | 05h00

BRASÍLIA - Nos últimos 15 dias, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Receita Federal deflagraram oito grandes operações contra a corrupção no País. Além do foco de combater o desvio de dinheiro público, as Operações Turbulência, Custo Brasil, Recomeço, Boca Livre, Saqueador, Tabela Periódica, Sépsis e Abismo têm em comum o fato de serem, direta ou indiretamente, frutos da Lava Jato, que apura, principalmente, corrupção e desvios na Petrobrás. 

Prestes a completar dois anos e quatro meses, a Lava Jato, sob tutela do juiz federal Sérgio Moro, que conduz as investigações na primeira instância da Justiça, conseguiu amealhar uma quantidade de informações que têm subsidiado outras investigações – hibernadas ou em ritmo lento – pelos Estados.

Diretamente, além da Operação Abismo, que é a 31.ª fase patrocinada pela força-tarefa de Curitiba, a Turbulência, a Custo Brasil e a Tabela Periódica se valeram de provas colhidas nos autos que investigam o cartel de empreiteiras acusadas de fraudar contratos bilionários na Petrobrás. A Abismo apura fraudes em licitações das obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobrás, no Rio. A Recomeço, fraudes em fundos de pensão.

Desdobramentos. No caso da Operação Custo Brasil, que levou à prisão do ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, trata-se de um fruto direto do desmembramento imposto pelo plenário do Supremo Tribunal Federal ao juiz Sérgio Moro e sua árvore de inquéritos e processos. Nos outros, as operações são resultado do compartilhamento de provas.

Por outro lado, a Boca Livre, que apura fraudes da ordem de R$ 180 milhões na Lei Rouanet, e a Saqueador – investigação sobre esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 370 milhões – caminhavam vagarosamente, sendo que a primeira desde 2014 e a segunda, desde 2013 . Agora, ambas começaram a avançar.

Na Boca Livre, investigações constataram que eventos corporativos, shows com artistas famosos em festas privadas para grandes empresas, livros institucionais e até mesmo uma festa de casamento foram custeados com recursos de natureza pública, obtidos por meio da Lei Rouanet.

A ESCALADA DAS OPERAÇÕES POLICIAIS

21 de Junho

A Turbulência investiga suspeita de caixa 2 na reeleição do então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

23 de Junho

A Custo Brasil apura propina de contratos a agentes ligados ao Planejamento, incluindo o ex-ministro Paulo Bernardo (foto).

24 de Junho

A Recomeço investiga desvio de R$ 90 milhões dos fundos de pensão Petros e Postalis.

28 de Junho

A Boca Livre apura desvio de R$ 180 milhões em contratos de projetos culturais que captaram recursos a partir da Lei Rouanet.

30 de Junho

A PF deflagra duas operações: a Saqueador, que apura lavagem de R$ 370 milhões como parte de esquema fraudulento em torno da Delta Engenharia envolvendo Fernando Cavendish, dono da empreiteira; e a Tabela Periódica, que investiga fraude em licitações de ferrovia envolvendo a Valec.

1.º de Julho

A Sépsis investiga suposto esquema de pagamento de propina para liberação de recursos do FGTS, tendo como alvos Joesley Batista, do grupo J&F, Henrique Constantino, da Gol, e Lúcio Funaro, corretor apontado como aliado de Eduardo Cunha.

4 de Julho

A Abismo apura fraudes de R$ 39 milhões na construção do Centro de Pesquisas da Petrobrás, no Rio de Janeiro.

 

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