Oito mil participam do Gay Day

Pelo menos 8 mil pessoas participaram hoje do Gay Day, a versão brasileira do evento que todos os anos reúne homossexuais e simpatizantes nos parques da Disney, na Flórida. O local escolhido foi o Hopi Hari, em Vinhedo, interior de São Paulo. O evento faz parte de uma série de atividades realizadas ao longo da semana e cujo ponto alto será a 5ª Parada do Orgulho Gay, que ocorrerá hoje em São Paulo. Além de se divertir, os homossexuais vêem no evento a possibilidade de atrair a atenção das pessoas para questões e problemas relativos ao grupo. "Não queremos viver em gueto. O Brasil é um País com uma diversidade grande de grupos sociais e de culturas. Há negros, índios, brancos e homossexuais, entre outros", explica o presidente da Associação da Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas Bissexuais e Transgêneres de São Paulo, Beto de Jesus. Por isso, o Hopi Hari não foi fechado aos homossexuais, que dividiram os brinquedos e passearam pelas alamedas ao lado de famílias, chegando a causar estranhamento em alguns. A dona de casa Sílvia Mauro passou o dia no parque com sua filha Maria, de 10 anos. "Se eu soubesse do Gay Day acho que não teria vindo", conta. Já os mais jovens reagiam com naturalidade aos casais de homossexuais que passeavam de mãos dadas. "A primeira vez causa um certo estranhamento, mas é um casal como outro qualquer", diz Márcia Regina Barbosa, de 17 anos. Ela estava no parque com o namorado Evandro Lira, de 18. A reação de estranhamento é considerada normal pelo presidente da Associação. "É a primeira vez que isso acontece. É normal?, disse As estudantes Viviane e Cristina, homossexuais assumidas, têm uma visão parecida com a de Beto e encaram com naturalidade a reação das famílias. "É compreensível", diz Viviane. Entre os participantes do Gay Day havia pessoas de diversas regiões do País. Gustavo, João e Beto vieram do Rio Grande do Sul. "Teríamos de vir a São Paulo de qualquer maneira para trabalhar, só antecipamos a viagem em uma semana para ter a chance de participar das atividades da semana. Achamos que é importante", conta Gustavo. Dennis, de 19 anos, é escriturário em São Paulo. Ele também acha que o evento é importante. "É preciso quebrar o preconceito", comenta ele, que estava acompanhado do companheiro, Rafael, de 23 anos. Parada A Associação espera reunir amanhã 200 mil pessoas na Avenida Paulista, a partir das 14 horas. A concentração ocorrerá em frente ao prédio da Gazeta. "É difícil afirmar, mas baseando-se pelo ano passado, dá para apostar em 200 mil participantes", prevê Beto. No ano passado, 120 mil pesssoas aderiram à parada. A prefeita Marta Suplicy abrirá oficialmente o evento.

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