Oficiais são acusados de dar golpe de R$ 1,7 milhão no Exército

Três majores, dois capitães e dois sargentos no Distrito Federal foram indiciados pelo Exército e estão sendo investigados pelo Ministério Público Militar (MPM) como os principais suspeitos de uma fraude que desviou R$ 1,718 milhão dos cofres da instituição, no início de 2002.A irregularidade aconteceu no ano em que a corporação dispensou 44 mil soldados e adotou uma série de medidas de contenção de gastos, causadas pelo acentuado corte do governo federal no orçamento das Forças Armadas.FantasmasCom uma exceção, os acusados eram funcionários do Centro de Pagamento do Exército (CPEx), órgão que centraliza a distribuição dos soldos de militares de todo o País. Segundo o MPM, o esquema montado criou pelo menos 52 pensionistas fantasmas pagos com os recursos federais.Como a fraude foi descoberta rapidamente ? em dois meses ?, a corporação conseguiu recuperar R$ 746 mil e bloquear as contas da Caixa Econômica Federal em que os depósitos eram feitos; R$ 971 mil continuam perdidos. Os fraudadores criavam no sistema do Exército cadastros falsos de supostos pensionistas ? dependentes de militares reformados e mortos ?, que passavam a receber dinheiro em contas bancárias como se fossem pagamentos atrasados. Mesmo CPFAlguns dos falsos beneficiários tinham registrado o mesmo número de CPF, com diferentes nomes de titulares; outros apareciam no Centro de Pagamento com o nome repetido e CPFs distintos. Nem sempre eram coincidentes os nomes dos falsos beneficiários no CPEx e os dos donos das contas na Caixa Econômica Federal, disse o promotor militar responsável pelo caso, Jaime Castro Miranda. Os depósitos não se restringiram ao Distrito Federal. A Procuradoria Militar rastreou dinheiro do Exército em contas da Caixa no interior da Paraíba e de Pernambuco. Essa foi uma das pistas que levaram à identificação do golpe.EstranhoAcostumado à pouca movimentação bancária na conta do cliente, o gerente de uma agência da Caixa Econômica Federal de uma pequena cidade nordestina estranhou quando viu dois depósitos vultosos seguidos. Pesquisou, descobriu serem do Exército e resolveu notificar a unidade militar da região. Após iniciar a verificação, descobriu-se que não se tratava apenas de uma simples irregularidade ou erro. Outro fato que chamou a atenção dos auditores foi o grande número de homens adultos entre os beneficiários, que normalmente são mulheres ? viúvas ou filhas ? ou menores de idade. Diante das evidências de fraude apontadas pelos inquéritos policial militar e da Justiça Militar, a juíza Zilah Maria Callado Fadul, da auditoria da 11ª Circunscrição da Justiça Militar, concedeu a autorização solicitada pelo Ministério Público Militar para quebrar o sigilo bancário dos principais suspeitos no caso, o que permitiu a confirmação de muitos dos depósitos.Sem saque?Já verificamos que mais de dez titulares de contas são civis e parentes de um dos indiciados. Eles também serão investigados e denunciados caso haja provas de participação no crime?, disse o promotor. Os implicados podem chegar a quase 60. Alguns dos envolvidos nem chegaram a sacar as importâncias depositadas em seu nome, devido à pronta ação do Exército.Os militares indiciados por envolvimento na fraude são os majores Sérgio de Lima Alves, Waldelino Rosa Junior e Gérson Magalhães Senna, os capitães Flávio Cavalcante Salomão e Alexandre Teixeira da Silva e os sargentos Eliermes Barbosa Oliveira e Luiz Ricardo Nazareth da Fonseca. Eles foram afastados do CPEx, mas ainda não sofreram pena. De acordo com o Centro de Comunicação do Exército (CComSEx), ?qualquer decisão sobre punição depende da Justiça Militar?.LocalizadosO inquérito, atualmente com 2084 páginas, foi prorrogado na semana passada por mais 15 dias. A demora se deve ao fato de muitos dos depoimentos terem de ser tomados por carta precatória, porque os depoentes moram em outros Estados. Procurados pela Agência Estado dois dos principais suspeitos do crime foram localizados ? o major Gérson Senna e o sargento Eliermes Oliveira. Os outros cinco não foram encontrados.Senna disse ter sido relacionado entre os indiciados por um acaso. ?O Exército estava investigando a possibilidade de desvio, o que sumiu e como, e o acaso, a possibilidade, levaram ao meu nome, porque eu trabalhava no Centro de Pagamento.? Eliermes Oliveira disse não poder dar declarações a respeito do caso.

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