Oficiais fazem primeira greve do Itamaraty desde 1994

Entre as reivindicações, está a equiparação de salários com os diplomatas do ministério das Relações Exteriores

Agência Brasil e Denise Chrispim Marin, de O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2008 | 15h07

Oficiais e assistentes de chancelaria paralisaram suas atividades nesta terça-feira, 10,  por 24 horas e realizaram pela manhã uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, reivindicando equiparação de salários com os diplomatas do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Primeira paralisação no Itamaraty desde 1994, essa greve deverá prejudicar especialmente os setores que tratam da legalização de documentos em Brasília e da concessão de vistos, nos consulados brasileiros.   Entre as principais cidades onde os postos de atendimento foram fechados, estão Nova York e Los Angeles (Estados Unidos), Tóquio (Japão), Madri (Espanha), Berlim (Alemanha), Roma (Itália) e Cidade do México (México).   Apesar da manifestação, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão informou que não iria receber os grevistas, pois já havia negociado a questão do aumento salarial diretamente com o Itamaraty.   "Houve realmente um contato entre as duas instituições, mas, em todo o contato, uma das características é a nossa ausência e é isso o que nós queremos que pare. Nós queremos participação nas discussões, ninguém melhor do que eu para discutir os meus interesses", afirmou o presidente do Conselho Nacional de Chancelaria (Conac), Alexey Van der Brook.   "É preciso que nós estejamos presentes para realmente negociarmos", acrescentou o presidente da Associação Nacional de Oficiais de Chancelaria, Antônio Carlos Toneto. De acordo com ele, existem problemas na comunicação das decisões referentes à carreira dos oficiais e assistentes. "Não existe transparência, uma coisa é dita para a gente e outra coisa é feita no Planejamento", disse.   Outra reivindicação dos oficiais é o preenchimento das vagas em aberto na carreira, mediante a realização de concurso público. "Nós temos nos multiplicado nos postos no exterior, assumindo diversos serviços, o que compromete a qualidade ", completou Van der Brook.   Nesta quarta, oficiais e assistentes de chancelaria voltam ao trabalho, até que seja apresentada uma posição do MRE no que diz respeito às negociações. De acordo com Van der Brook e Toneto, o Itamaraty sinalizou uma possibilidade de os servidores serem incluídos no diálogo com o Ministério do Planejamento. Na próxima semana, deve ser realizada uma nova assembléia, para decidir os rumos do movimento.     Proposta    Nos últimos meses, o Departamento do Serviço Exterior do Itamaraty defendeu as reivindicações dos oficiais e assistentes de chancelaria no Ministério do Planejamento (MPO). Na semana passada, associações de ambas as categorias receberam a contraproposta do MPO de aumento linear de 19%, extensivo também aos diplomatas.    Em assembléia-geral, no último dia 4, essa sugestão foi rejeitada. A alternativa aprovada foi a da greve. Segundo informou o Itamaraty,  o Ministério do Planejamento dobrou-se à reivindicação dos oficiais de chancelaria, nos "exatos valores propostos". Mas ficou de apresentar, nos próximos dias, uma contraproposta à reivindicação dos assistentes de chancelaria. A Associação Nacional dos Oficiais de Chancelaria do Serviço Exterior (Asof) e a Conac, mesmo assim, decidiram manter a greve até que "uma proposta concreta" seja apresentada pelo Planejamento.   Texto atualizado às 17 horas    

Tudo o que sabemos sobre:
Itamaratygreve

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.