Oferta era de € 100 mil, revela cubano

Em entrevista, boxeadores Rigondeaux e Lara dizem, porém, que recusaram propostas para trabalho na Alemanha

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

Na longa entrevista que deram ao Granma, jornal oficial do PC cubano, assim que chegaram à ilha, no domingo, os boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara afirmaram que lhes foi oferecida uma quantia - Lara disse que, para ele, seriam ? 100 mil (R$ 260 mil) - para que se tornassem lutadores profissionais na Alemanha.Rigondeaux garantiu que eles recusaram os convites e não assinaram nenhum contrato. Os dois repetiram que resolveram não voltar à Vila Pan-Americana porque não passariam na prova de peso antes de suas lutas. A seguir, trechos dos depoimentos que deram, em separado, à jornalista Julia Osendi, do Granma:ERISLANDY LARA"Saímos, Rigondeaux e eu, para comprar umas coisas, um Playstation, roupas para nós e as crianças, e no caminho nos interceptou um cubano de nome Alexis, que andava com outro sujeito. Tomamos táxi, bebemos, compramos o Playstation e fomos a um bar. No bar começamos a beber, e dali fomos a um cabaré.""Sentimo-nos mal, enjoados, e já nos trouxeram mulheres. Como lutaríamos no dia seguinte, tínhamos medo de voltar à Vila. Tínhamos comido e bebido e sentíamos medo pelo peso, que no boxe é sanção das mais graves. E resolvemos ir com eles.""Fomos à praia e começaram a fazer-nos ofertas para que fôssemos lutar como profissionais na Alemanha. Inclusive a mim me insinuaram uma certa quantidade de dinheiro, como ? 100 mil, e eu disse que não, que nós íamos voltar a Cuba. Falavam seguidamente que iríamos ficar milionários. Dissemos que não, e ficaram bravos e nos deixaram com um brasileiro. Tivemos ajuda de um pescador para chamar a Polícia Federal. Em 20 minutos a polícia estava conosco e detiveram o brasileiro e o prenderam."GUILLERMO RIGONDEAUX"Não assinamos nenhum contrato, eles nos faziam as propostas e nós, o tempo todo: ?Não. Queremos ir para Cuba.? Falamos com o comandante da polícia, que perguntou: ?Vocês querem voltar a Cuba?? E nós: ?Sim, queremos voltar a Cuba.? Se era mais fácil voltar à Vila? Sim, mas nos dava medo porque traz uma grave sanção. Agora (em Cuba) é grave também. Estamos dispostos a fazer o que seja, porque não se pode voltar atrás." G.M.F.

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