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OECD investiga fatores socioeconômicos no desempenho escolar

Um dado intrigante está sendo investigado pelo departamento de estatísticas da Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OECD, na sigla em inglês): estudantes considerados ?medianos? melhoram o desempenho escolar quando passam a freqüentar escolas onde o nível socioeconômico de seus colegas é mais elevado, independentemente da qualidade dessas escolas. A constatação surgiu na análise dos números do Program for International Student Assessment (Pisa), programa que avalia o desempenho de estudantes de 15 anos nos 28 países mais ricos e em outros quatro, incluindo o Brasil.?Pode ser que nesses grupos a presença dos pais na vida escolar seja mais intensa, que o maior grau de escolaridade das famílias contribua, ou vários outros fatores como esses podem determinar esta melhora no desempenho, mesmo em escolas com qualidade de ensino inferior, mas o fato é que hoje não sabemos a razão e estamos pesquisando?, afirmou Claudia Tammasia, coordenadora do Pisa em Paris, que participou de conferência no 10.º Simpósio da Organização Internacional para a Educação em Ciência e Tecnologia (Ioste), encerrado nesta sexta-feira em Foz do Iguaçu (PR). Ela faz questão, entretanto, de desaconselhar qualquer interpretação desse dado que minimize a importância da qualidade do ensino no desempenho dos estudantes.O que importa nesse fenômeno, segundo a representante da OECD, é identificar os fatores que permitem esse desempenho melhor dos alunos para, se possível, ?replicá-los? de forma a que mais estudantes também melhorem. Os resultados do estudo vão ser divulgados na próxima edição do Pisa, em 2003. Esses resultados são divulgados a cada três anos, com foco em temas específicos. Os dados de 2000 revelam a situação dos alunos em relação à leitura e escrita, em que os estudantes brasileiros e mexicanos tiveram as piores pontuações, numa comparação direta com os países desenvolvidos. Os dados de 2003, que já estão sendo trabalhados, vão mostrar a performance dos jovens em Matemática e, em 2006, será a vez das Ciências.A análise dos dados do Pisa 2000, conforme Claudia Tammasia, permite apontar algumas características da rotina escolar mais presentes entre os alunos melhor pontuados. A relação positiva entre professor e aluno é uma delas. ?Leva-se em conta nessa relação, por exemplo, se o aluno acredita que pode contar com o professor para superar dificuldades, se ele confia que esta ajuda é dada com sinceridade?, explicou a coordenadora. Também estão presentes a ênfase no desempenho acadêmico, o grau adequado de exigências e complexidade nas tarefas, o clima disciplinar na sala de aula (menor tempo de ?conversa? e dispersão antes do início efetivo da atividade, por exemplo), além do uso freqüente de recursos escolares (laboratórios, computadores etc) e a boa qualificação do professor.O repórter David Moisés viajou a convite dos organizadores do 10.º Simpósio da Organização Internacional para a Educação em Ciência e Tecnologia (Ioste)

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