OEA pede proteção para denunciantes de grupo de extermínio

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu providências ao governo brasileiro para garantir a vida de um delegado e de um ativista de defesa dos direitos humanos de Natal, que denunciaram um grupo de extermínio formado por policiais, conhecido como Meninos de Ouro.O pedido da OEA foi anunciado nesta segunda-feira, no aniversário de 53 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Assembléia de São Paulo. Acompanhado do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, Renato Simões (PT), o diretor da Justiça Global Direitos Humanos e Justiça Social, James Louis Cavallaro, apresentou uma fita na qual uma pessoa alerta o delegado Plácido Medeiros de Souza de que ele pode ser morto a qualquer momento.O delegado investigou a participação do policial Jorge Luiz Fernandes, o Jorge Abafador, na morte do advogado Gilson Nogueira Carvalho, em 1996. Jorge cumpre pena de 47 anos por ser o autor de uma chacina, mas pode sair da cadeia duas vezes por semana.O policial já estava preso por causa da chacina, mas saiu da cadeia em 19 de outubro de 1996, véspera do assassinato de Carvalho. Voltou, segundo o livro de registros da delegacia, no dia seguinte ao crime. Com a descoberta do delegado, a folha do livro em que constava a saída do preso sumiu. A OEA pediu ainda ao governo que transfira Jorge para um presídio de segurança máxima.Segundo o diretor do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular do RN, Roberto Monte, a segunda vítima ameaçada, o grupo de extermínio tem a participação do subcoordenador da Central de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública, Maurílio Pinto de Medeiros. A reportagem ligou para Medeiros, mas ele não retornou os pedidos de entrevista. A arma que matou o advogado era do policial Otávio Ernesto, ex-braço direito de Medeiros.

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