OEA abre inquérito sobre meninos emasculados do Maranhão

A organização não-governamental (ong) Justiça Global e o Centro de Defesa Marcos Passerini anunciaram hoje em São Paulo a abertura de um novo processo internacional sobre o caso dos garotos emasculados do Maranhão. O processo foi oficialmente iniciado, nesta quinta-feira, em Washington (EUA) na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e vai investigar os homicídios de Eduardo Rocha da Silva, 10 anos, e Raimundo Nonato da Conceição Filho, 11 anos, ocorridos em junho de 1997, no município de Paço do Luminar, no interior do Maranhão.Os corpos dos dois meninos mostraram sinais de tortura, além da remoção violenta dos órgãos genitais. Entre 92 e outubro deste ano, 21 meninos foram assassinados em circunstâncias semelhantes no Maranhão e o inquérito policial está paralisado desde setembro de 97. A polícia do Maranhão atribui a paralisação das investigações à dificuldade em concluir as diligências requeridas pelo Ministério Público (MP).Em outubro, quando ocorreram os dois últimos casos, o então ministro da Justiça José Gregori colocou a Polícia Federal à disposição do governo do Maranhão para auxiliar nas investigações, mas a ajuda não foi aceita pela governadora Roseana Sarney (PFL). Ela garantiu que a polícia do Estado está empenhada nas investigações.A partir das investigações dos casos ocorridos em 97, a polícia indiciou Bernardo da Silva Dias, que já havia sido acusado de ter cometido homicídio contra uma criança de 12 anos, em 1992. "Apesar da gravidade dos crimes e dos indícios de autoria, os homicídios continuam impunes, o que justificou o envolvimento da Justiça Global no caso", afirmou o diretor da entidade, Gens Cavalaro.Justiça Global e entidades de defesa dos direitos humanos suspeitam que os homicídios sejam praticados por seitas satânicas que atuam clandestinamente no interior do Maranhão. "Embora o modus operandi seja o mesmo, as investigações apontam para a existência de vários autores", afirmou Sandra Carvalho, da Justiça Global em São Paulo.

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