Oded cobra saída e constrange Lula

Em reunião do CDES, empresário pede afastamento de Renan

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2007 | 05h41

Ninguém esperava tanta sinceridade. Na abertura da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o empresário Oded Grajew pediu que o governo se posicionasse pela saída do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em menos de 15 minutos de discurso, Grajew levou a crise política para o Palácio do Planalto e constrangeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "É inconcebível não discutirmos aqui a crise", disse. "Nós devemos nos posicionar pelo afastamento do senador Renan Calheiros porque, com a Casa pegando fogo, não adianta querer debater a cor da cortina." Sentado diante da platéia, no Salão Oeste do Planalto, Lula não escondeu a contrariedade. Franziu a testa e fechou a fisionomia. Ao seu lado, Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais) ficou vermelho. Sem perceber o mal-estar, Grajew prosseguiu. "Eu duvido que, se houvesse o que está acontecendo no Senado numa empresa, não afastaríamos o suspeito." Presidente do Instituto Ethos, ele foi assessor especial de Lula, mas deixou o Planalto em 2003, alegando estar decepcionado. Grajew disse ainda que o Conselhão tinha a "obrigação" de propor medidas de combate à corrupção. Mais tarde, contou que encaminhará abaixo-assinado aos conselheiros, pedindo o afastamento de Renan. Lula discursou em seguida, mas não mencionou o caso do senador. Segundo o empresário, não era sua intenção constranger o governo. "Então eu pego um avião, venho até aqui e não posso falar?" Mares Guia amenizou: "Isso não significa que todos os conselheiros estejam a favor da saída de Renan." Grajew, porém, tem outra opinião: "Não sei por que só eu me pronunciei. Muitos são contra, mas chegam diante de Lula e não têm coragem de falar."Informado sobre o abaixo-assinado, o ministro desconversou: "Pode até chegar essa sugestão, mas isso não tem eficácia, porque o conselho não é deliberativo."

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