RODOLFO BUHRER|Reuters
RODOLFO BUHRER|Reuters

Odebrecht sabia de pagamentos a João Santana e Dirceu, diz Lava Jato

Investigadores pediram novamente a prisão de Marcelo Odebrecht, que está preso em Curitiba desde junho do ano passado, mas o juiz Sergio Moro, responsável pela condução dessa operação, indeferiu o pedido

Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

22 de fevereiro de 2016 | 11h46

São Paulo - Os investigadores da Operação Lava Jato acreditam que o empreiteiro Marcelo Odebrecht, preso desde junho de 2015, teria o controle sobre pagamentos feitos por meio de offshores ao publicitário João Santana, ao ex-ministro José Dirceu, também preso pela operação, além de funcionários públicos da Argentina.

Em coletiva concedida nesta segunda-feira, 22, a Polícia Federal disse que trabalha com a informação de que o marqueteiro das campanhas do PT, inclusive de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, comprou um apartamento em São Paulo com o dinheiro que recebeu da Odebrecht. Nesta fase da Lava Jato, batizada de Acarajé, foram apreendidas obras de arte, lanchas e diversos documentos.

Os investigadores levantaram que o marqueteiro teria recebido mais de US$ 7 milhões em suas offshores no exterior. Dessa quantia, segundo a investigação, US$ 3 milhões teriam vindo de contas atribuídas à empreiteira na Suíça e outros US$ 4,5 milhões foram transferidos entre 25 de setembro de 2013 e 4 de novembro de 2014 pelo operador de propinas Zwi Skornicki, preso nesta segunda.

Cinco dos alvos dessa nova fase da Operação Lava Jato estão no exterior, incluindo João Santana e a mulher Mônica. A PF disse que havia uma previsão de o casal voltar ao Brasil neste sábado, 20, mas por algum motivo isso não ocorreu. "Não dava para adiar a operação (porque alguns dos alvos estão no exterior). O nome deles deve entrar em difusão vermelha, de procura e captura no exterior, mas esperamos que eles se apresentem espontaneamente." A assessoria da Polis, empresa de Santana, informou que dará detalhes no início da tarde sobre o retorno do casal.

Segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, as buscas e apreensões de documentos realizadas nesta segunda reforçam o que já havia sido descoberto. Ele disse esperar que Moro levante o sigilo dos documentos para que possam ser de conhecimento público. Santos Lima disse que a nova fase revela duas linhas de investigação: uma envolvendo o casal (João Santana e Mônica Moura) e outra envolvendo um grupo de funcionários da empreiteira Odebrecht no exterior. Marcelo Odebrecht foi levado nesta manhã à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para prestar esclarecimentos sobre os fatos apurados nesta 23ª fase da Lava Jato.

Na coletiva, foi dito também que Armando Tripodi, ex-chefe de gabinete da presidência da Petrobrás na gestão Sergio Gabrielli e gerente de Responsabilidade Social, foi um dos alvos de busca dessa nova fase da Lava Jato, batizada de Acarajé.

Campanha. Na coletiva, foi esclarecido que a Lava Jato não investiga especificamente campanhas eleitorais, mas a origem ilícita do dinheiro desviado da Petrobrás e que poderia ter abastecido campanhas. A Lava Jato pediu novamente a prisão de Marcelo Odebrecht, que está preso em Curitiba desde junho do ano passado, mas o juiz Sergio Moro, responsável pela condução dessa operação, indeferiu o pedido. O empreiteiro ficará sob custódia até a investigação ser concluída.

O procurador Santos Lima afirma que o engenheiro Zwi Skornicki está envolvido na corrupção da Petrobrás e, por esse motivo este é um claro indicativo de que os valores envolvidos tiveram origem na estatal petrolífera. "Não estamos trabalhando com caixa 2 somente", disse o procurador.

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