Odebrecht relata pressão por doação via BNDES, diz jornal

Ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o presidente do banco Luciano Coutinho teriam cobrado repasses para a campanha de Dilma

O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2016 | 08h47

O empresário Marcelo Odebrecht afirmou aos investigadores da Operação Lava Jato que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, cobraram doações para a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2014. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as declarações do empreiteiro foram feitas em um roteiro para negociar um eventual acordo de delação premiada.

De acordo com a reportagem, Marcelo Odebrecht relatou que Mantega e Coutinho eram os responsáveis pela obtenção de doações entre empresários que tinham financiamento do BNDES no exterior – os empréstimos, segundo ele, eram usados como forma de pressionar as empresas por colaborações.

Os procuradores que integram a força-tarefa da Lava Jato querem, conforme a reportagem, que o empresário forneça detalhes de como funcionaria o esquema de financiamento de projetos no exterior por empreiteiras brasileiras por meio do banco de fomento.

STJ. Marcelo Odebrecht informou também que a presidente Dilma Rousseff tentou garantir sua liberdade após ele ser detido, em junho do ano passado. Ele relatou, segundo o jornal, que a nomeação do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) era parte da ofensiva contra as prisões de empreiteiros na Lava Jato.

O senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS) já havia apontado, em delação, a tentativa de Dilma de interferir na Lava Jato via STJ. A presidente negou e afirmou que as declarações de Delcídio são “mentirosas”.

Em março Marcelo Odebrecht foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa no esquema investigado na Lava Jato. Outros ex-executivos da maior empreiteira do País também foram condenados e negociam delação.

À Folha, Mantega e Coutinho afirmaram que nunca trataram de doações para campanhas. O presidente do BNDES informou que “jamais” falou sobre doações com executivos da Odebrecht ou de qualquer outra empresa. O ex-ministro disse que “jamais tratou de assunto de campanha de quem quer que seja” e que “rechaça essa insinuação”.

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