DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Odebrecht questionou Cardozo sobre cooperação entre Brasil e Suíça

Empresa quer esclarecimentos sobre colaboração com país europeu; ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou ter recebido US$ 31,5 milhões em propina da empreiteira naquele país

Talita Fernandes, Beatriz Bulla e Andreza Matais, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2015 | 18h04

Atualizado às 21h25

Brasília - Os advogados da construtora Odebrecht, que está na mira das investigações da Operação Lava Jato, apresentaram duas representações ao Ministério da Justiça questionando os vazamentos de informações do caso e a cooperação entre Suíça e Brasil para apurar o esquema de corrupção que tem a Petrobrás como alvo central. 

O conteúdo dos questionamentos veio à tona nesta quinta-feira, 19, mas os documentos foram apresentados após encontro dos advogados da empreiteira com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no dia 5. 

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Em entrevista coletiva concedida nesta quinta, Cardozo admitiu ter tratado do vazamento da Lava Jato com os advogados, mas não quis comentar o tema da segunda representação, limitando-se a dizer que dados relativos à cooperação com a Suíça foram encaminhados ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do ministério e ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. 

A Procuradoria-Geral confirmou ao Estado que o Ministério da Justiça protocolou ontem um pedido de esclarecimento dos advogados da construtora sobre a cooperação feita entre Suíça e Brasil nos desdobramentos da Lava Jato. 

O órgão manifestou “tranquilidade”, afirmando que a cooperação foi feita dentro dos termos legais do acordo entre os dois países. A Procuradoria-Geral da República deve encaminhar os esclarecimentos a Cardozo até o início da próxima semana. 

Em depoimentos prestados no acordo de delação premiada, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa disse ter recebido um total de US$ 31,5 milhões da Odebrecht. Segundo ele, a empresa fazia depósitos a cada dois ou três meses, entre 2008 e 2013, em sua conta na Suíça devido ao “bom relacionamento” entre eles. Diante dessa situação, a Odebrecht quer detalhamento sobre a cooperação feita entre Brasil e Suíça nas investigações da Lava Jato. 

O encontro de Cardozo com advogados da construtora gerou críticas do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa que, durante o feriado de carnaval, chegou a sugerir a demissão do ministro em postagens feitas no Twitter. O juiz Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato na Justiça do Paraná, classificou como “intolerável” que advogados das empreiteiras tentem discutir o processo judicial com autoridades políticas. 

‘Quadrilha’. Cardozo se defendeu ontem das críticas dizendo que advogados “não são membros de quadrilha” pela sua atuação profissional. Ele disse achar “lamentável” que no Brasil existam pessoas que “ainda pensam dessa forma”. “Advogado não é o cliente, advogado não está sendo acusado. E se tem alguma coisa acontecendo de errado na Polícia Federal, quem é que tem que fiscalizar? O ministro da Justiça. É de uma obviedade total”, declarou o ministro. Ele reiterou que teve apenas um encontro com advogados para tratar da Lava Jato - o caso da Odebrecht - e que defensores têm o direito de serem recebidos por autoridades públicas. 

A Odebrecht também encaminhou cópia do primeiro requerimento apresentado ao Ministério da Justiça ao STF. 

No documento, os advogados da empreiteira reclamam do “pouco interesse” com que as autoridades do Paraná têm tratado o vazamento das informações da operação. A defesa já havia ingressado com duas petições em 2014, ambas em outubro, cerca de um mês antes de a sétima fase da Operação Lava Jato ser deflagrada, quando foram presos executivos de empreiteiras investigadas. 

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