JF Diorio/Estadão
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Odebrecht pagou US$ 200 milhões a políticos latinoamericanos em Andorra, diz jornal espanhol

Reportagem do El País teve acesso a investigação no principado, que analisou contas de 145 clientes do BPA; soma foi identificada apenas em pagamentos feitos por meio de uma offshore da empreiteira

O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2017 | 14h40

Investigações em Andorra apontam que a Odebrecht pagou US$ 200 milhões de propina a políticos, funcionários, empresários e laranjas de oito Países. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, 10, pelo jornal espanhol El País.

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No final de setembro, o Estado teve acesso a documentos confidenciais do inquérito em Andorra. À época, a reportagem revelou que a empreiteira apresentava políticos a bancos em Andorra, com o objetivo que abrissem contas que seriam usadas para receber propina.

De acordo com o jornal espanhol, os recursos foram depositados no banco BPA, Banca Privada d´Andorra (BPA) - junto com Meinl Bank de Antígua e Barbuda, foi o banco internacional mais utilizado por Marcelo Odebrecht, dono da empreiteira, hoje preso em Curitiba.

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O esquema consistia na Odebrecht utilizando as offshores Aeon Group e Klienfeld Services Limited para realizar os pagamentos e nos funcionários do BPA criando sociedades no Panamá para ocultar os verdadeiros titulares das contas. Os investigadores identificaram mais de US$ 200 milhões de pagamentos feitos somente por meio de Klienfeld. 

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Os documentos aos quais o El País teve acesso mostram que políticos, advogados, funcionários e membros do alto escalão do Equador, Peru, Panamá, Chile, Uruguai, Colômbia, Brasil e Argentina abriram contas no BPA. Contas de 145 clientes foram investigadas pelas autoridades andorranas.

Em 2015, o governo de Andorra interviu no BPA por suspeitas de lavagem de dinheiro. Após fortes pressões internacionais, o país deixou de ser paraíso fiscal no ano passado. 

O jornal espanhol chamou o escândalo de corrupção da Odebrecht de “uma bomba política” que revelou propinas em 12 países latinoamericanos e cujos “estilhaços” impactaram contra o presidente Michel Temer, Juan Manuel Santos (Colômbia) e Danilo Medina (República Dominicana). A reportagem ainda aponta que a “onda” também alcançou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente peruano Ollanta Humala, hoje preso por escândalo de corrupção.

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