Odebrecht Infraestrutura/Divulgação
Odebrecht Infraestrutura/Divulgação

Odebrecht é alvo de ação da PF que apura superfaturamento em estádio da Copa

Operação cumpre mandados de busca em escritórios da empresa; suspeita é de superfaturamento na construção da Arena Pernambuco

Andreza Matais, Fábio Fabrini e Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 09h38

Atualizada às 22h48

BRASÍLIA - Maior empreiteira do País, a Odebrecht foi alvo nesta sexta-feira, 14, de mais uma operação da Polícia Federal por suspeita de fraude a licitação e superfaturamento de R$ 42,8 milhões na construção da Arena Pernambuco, um dos estádios da Copa de 2014 – atualizado, o valor chega a R$ 70 milhões. A suspeita é de que agentes públicos foram corrompidos para favorecer a construtora na licitação internacional para as obras e viabilizar financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o empreendimento.

Na ação, batizada de Fair-Play, os policiais cumpriram dez mandados de busca e apreensão nos escritórios da Odebrecht e endereços de dois de seus executivos em Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal. A empresa já é investigada na Operação Lava Jato, que apura esquema de cartel e corrupção da Petrobrás. Desde junho, seu presidente, Marcelo Odebrecht, e outros dirigentes estão presos, acusados de envolvimento nos desvios. 

Nesta sexta, a PF apreendeu documentos e mídias sobre a obra da Copa nos arredores de Recife para instruir as investigações. “Temos indícios de que houve frustração do caráter competitivo (da licitação) e suspeitas de superfaturamento”, confirmou ao Estado o delegado Marcello Diniz Cordeiro. 

Os agentes também buscaram planilhas de custo e contratos envolvendo a construção de outros três estádios construídos ou reformados pela empreiteira: Itaquerão (SP), Maracanã (RJ) e Fonte Nova (BA).

A PF pretende comparar os custos das demais obras com os da Arena Pernambuco, que é o foco da operação. Se forem identificadas irregularidades também nos outros estádios, as investigações devem ser ampliadas. No Recife, a PF foi ainda ao escritório de parceria público-privada do governo de Pernambuco.

O contrato com a Odebrecht foi assinado na gestão do governador Eduardo Campos (PSB), morto num acidente aéreo em agosto de 2014. A obra, orçada em R$ 532 milhões, teria saído por cerca de R$ 700 milhões.

O Comitê Gestor responsável pela construção do estádio tinha como principais dirigentes o atual governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), como vice-presidente; e o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), como presidente. Os dois eram, na época, secretários de Campos. O governador e o prefeito, contudo, não foram alvo da ação da PF. 

Arena multiuso. O empreendimento foi erguido no município de São Lourenço da Mata, localizado a 19 quilômetros do centro do Recife. Hoje, a maior parte da área onde o resto do empreendimento deveria existir está vazia. Para garantir a viabilidade financeira do empreendimento, o governo estadual assinou um contrato de PPP com a Odebrecht no qual se comprometeu a ressarcir, ao longo de 30 anos, eventuais desequilíbrios de receitas. Segundo o Tribunal de Contas de Pernambuco, isso representaria o pagamento de R$ 1,89 bi, durante a vigência do contrato. Um dos principais motivos pela baixa procura para a realização de eventos no local é a falta de infraestrutura e mobilidade. / COLABOROU MÔNICA BERNARDES, ESPECIAL PARA O ESTADO


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