Odebrecht confirmou o que disse em delação, dizem advogados

Empreiteiro, preso desde junho de 2015 por envolvimento na Lava Jato, depôs por quatro horas ao TSE na ação que investiga irregularidades na campanha da chapa Dilma-Temer

Ricardo Galhardo, Enviado Especial

01 Março 2017 | 20h57

 

 

Curitiba - O empresário Marcelo Odebrecht respondeu a todas as perguntas e apresentou documentos durante as quase quatro horas de depoimento à Justiça Eleitoral na ação movida pelo PSDB que pede a cassação da chapa da ex-presidente Dilma Rousseff e seu então vice, o atual presidente Michel Temer.

“Ele respondeu todas as perguntas, foram quase quatro horas. Ele trouxe uma planilha que tinha em mãos e apresentou em sigilo mas também era uma planilha que já havia sido apresentada. Era um documento de instrução dele”, disse o advogado de defesa de Temer, Gustavo Guedes.

Segundo ele, Odebrecht trazia outros documentos em mãos além da planilha mas o advogado não soube dizer se os documentos foram anexados ao processo.

O ex-presidente da empreiteira foi ouvido a pedido do ministro Herman Benjamin, relator da ação do PSDB no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo é confirmar partes da delação premiada feita por Odebrecht à Lava Jato. No ano passado o Estado revelou que a Odebrecht repassou R$ 30 milhões via caica dois à campanha de Dilma e Temer em 2014. O teor do depoimento é sigiloso.

O advogado de Temer não descartou a possibilidade de requerer a oitiva de testemunhas, a depender dos relatos de outros delatores que serão ouvidos até a próxima semana, entre eles o ex-vice-presidente da empreiteira Cláudio Melo Filho.

Guedes, no entanto, descartou que se trate de uma mudaça de estraégia da defesa que, até agora, apostava na tática de abreviar o julgamento da ação.

“A possibilidade de ouvir novas testemunhas ela obviamente sempre existe mas primeiro a gente gostaria de esperar a oitiva de todas as testemunhas antes de avaliar isso”, disse o advogado.

Segundo relatos, Marcelo Odebrecht falou por mais de duas horas sem ser interrompido logo no início da audiência. A partir de então respondeu perguntas dos advogados das partes envolvidas e do relator do processo. O empresário respondeu todas as perguntas.

“Ele falou o que deveria falar e o que poderia falar”, disse o advogado de Odebrecht, Luciano Feldens.

De acordo com os advogados, o empresário confirmou o que já havia dito na delação à Lava Jato. “Ele nem poderia dizer algo diferente”, disse Guedes.

Em despacho do dia 21 de fevereiro o procurador geral da República, Rodrigo Janot, disse que "os deveres e compromissos assumidos pelos colaboradores aplicam-se a quaisquer esfera judicial". Na mesma linha o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) usou trecho de uma decisão do ministro Teori Zavaski, morto em acidente de avião em janeiro, segundo a qual "a homologação de colaboração premiada não inibe a convocação da testemunha por outro órgão judiciário de investigação, nem a condiciona a prévia autorização do juízo que homologa".

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