Ocupações do Abril Vermelho incluem Dutra e Porto de Maceió

Em Porto Alegre, acesso aos prédios da Secretaria da Agricultura foram ocupados, impedindo trabalhos

Agência Estado

16 de abril de 2008 | 21h52

Dando continuidade ao Abril Vermelho, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam nesta quarta-feira, 16, diversas fazendas e rodovias pelo Brasil. A rodovia Dutra foi mantida fechado por cerca de uma hora próximo ao município de Piraí, no sul fluminense. Em Porto Alegre, o grupo manteve os pátios de acesso a dois prédios da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio sob ocupação. O Porto de Maceió, durante quase todo o dia de nesta quarta-feira, 16, causando prejuízos e um enorme congestionamento de caminhões.   Eles mantiveram a Rodovia Presidente Dutra fechada por cerca de uma hora na manhã desta quarta feira, 16, próximo ao município de Piraí, no sul fluminense. Também ocuparam agências da Caixa Econômica Federal em Campos dos Goytacazes (norte fluminense) e Volta Redonda (sul fluminense).   Na Dutra, os sem-terrra protestaram contra a impunidade no Massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido há 12 anos, que deixou 19 trabalhadores rurais mortos. Cerca de 100 manifestantes, segundo os organizadores, participaram da ação. Já a Polícia Rodoviária Federal informou que a rodovia foi fechada por 50 pessoas.   A Dutra ficou interditada no sentido São Paulo a partir das 9h20. Durante o protesto, foram queimados pedaços de pau. Bombeiros e a PRF foram chamados e a manifestação foi encerrada pacificamente. Eles liberaram a rodovia às 10 horas, mas os bombeiros levaram vinte minutos para limpar a pista. De lá, o grupo seguiu para a CEF de Volta Redonda e ocupou o local.     Porto de Maceió   O Porto de Maceió também foi ocupado durante quase todo o dia de nesta quarta-feira, 16, causando prejuízos e um enorme congestionamento de caminhões. Somente no início da noite, eles desocuparam o portão principal e voltaram em passeata até a Praça Sinimbu, onde estão acampados desde ontem, no Centro de Maceió. A ocupação fez parte do "Abril Vermelho" e foi uma forma que os sem-terra encontraram para pressionar o governador de Alagoas, Tetônio Vilela Filho (PSDB).   Os líderes do MST, que estão acampados em frente a sede do Porto de Maceió, no bairro de Jaraguá, afirmam que só deixaram o local depois que assessoria do governador garantiu que Vilela irá recebê-los em audiência, nesta quinta-feira, em audiência no Palácio República dos Palmares. "Solicitamos essa audiência para apresentar uma pauta de reivindicações, entre elas, melhorias nos assentamentos e a liberação de terras pertencentes ao extinto Bando do Estado de Alagoas, Produban", afirmou Bárbara Zeferino, assessora do MST.   Segundo ela, a legislação determina que as terras que faziam parte do patrimônio do banco estatal sejam destinadas à reforma agrária. "O problema é que das cerca de 30 mil hectares de terras pertencentes ao Produban, apenas 2% delas foram destinadas ao fim especificado", comentou Bárbara Zeferino.   O protesto dos integrantes do MST causou transtornos aos caminhoneiros que chegam ao Porto de Maceió, mas não conseguiram entrar nem para descarregar, nem para abastecer os navios com produtos de exportação, principalmente o açúcar e o álcool. Por causa do protesto, por volta das 16 horas, mais de 50 caminhões, carregados de mercadorias, estavam na fila, impedidos de ter acesso às dependências do porto, ocasionando um enorme congestionamento.   Porto Alegre   Em Porto Alegre, as duas ações começaram antes do amanhecer. Um grupo maior, com cerca de 500 manifestantes, invadiu o terreno do prédio da Receita Federal, no centro da cidade, e impediu a entrada de funcionários e contribuintes. A segunda ação, praticada por cerca de 300 pessoas, foi semelhante e ocorreu nas instalações da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio do Rio Grande do Sul, no bairro Menino Deus.   A Procuradoria Geral do Estado (PGE) entrou com um pedido de liminar à Justiça solicitando a reintegração de posse da área invadida, na manhã desta quarta-feira, 16, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Pesca e Agronegócio (Seappa), pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Trezentos e cinqüenta integrantes do movimento estão no pátio da Secretaria da Agricultura, no Bairro Menino Deus. A Brigada Militar acompanha o movimento.   O secretário da Agricultura, João Carlos Machado, afirma que estranhou a invasão, já que ele e a governadora Yeda Crusius receberam, na última sexta-feira (11), em Tupanciretã, na Abertura da Colheita da Soja, uma comissão do MST, que entregou uma extensa pauta de reivindicações. "Se passaram apenas dois dias úteis e eles já tomaram uma medida extrema, impedindo nossos servidores de trabalharem. Esta é uma ação que não contribui para o diálogo. É uma ação meramente política", observa. Machado diz que a lista de pedidos entregue ao governo do Estado precisa ser analisada com cuidado e critério. "E para isso necessitamos de tempo", afirma.   São Gabriel   Em São Gabriel, na Fronteira Oeste, cerca de 400 sem-terra mantêm a seda da Estância do Céu sob ocupação desde segunda-feira, também para pedir o imediato assentamento de mil famílias no Rio Grande do Sul. A Justiça concedeu reintegração de posse ao proprietário, o agropecuarista Alfredo Southall, e deu prazo até sexta-feira para os invasores deixarem a área pacificamente. Apesar da decisão, a situação pode se tornar explosiva. O comandante da Brigada Militar na região, coronel Lauro Binsfield, promete prender e identificar todos os sem-terra quando eles saírem da fazenda. Os produtores rurais estão vigiando os invasores de uma propriedade próxima e prometem uma grande manifestação de repúdio ao MST durante a retirada do grupo.     (Com Elder Ogliari; Clarissa Thomé e Wálmaro Paz)

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