Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Obstrução intestinal: saiba mais sobre diagnóstico de Bolsonaro

Problema pode ser causado por cirurgia no órgão, caso do presidente; tratamento envolve uso de medicamentos e, em episódios mais graves, procedimento cirúrgico

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2021 | 16h29

SÃO PAULO - A obstrução parcial detectada no intestino do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é um quadro que pode ocorrer em pacientes que já enfrentaram procedimentos cirúrgicos no órgão, caso do chefe do Executivo. O "tratamento conservador" adotado pela equipe médica do presidente, ou seja, sem cirurgia corretiva, é uma estratégia que se mostra eficaz e ajuda a evitar novos episódios no futuro, segundo especialistas em aparelho digestivo ouvidos pelo Estadão.

Após ter sofrido um atentado a faca em 2018, Bolsonaro já foi submetido a seis cirurgias na região abdominal, que acabam aumentando as possibilidades de eventos de aderência do órgão e também obstruções.  Bolsonaro está internado no hospital Vila Nova Star e que o chefe da equipe médica é Antônio Luiz Macedo, mesmo cirurgião que acompanha o caso desde a facada.

"No caso do presidente, ocorreram múltiplas cirurgias. Quando se faz cirurgia, ocorre fibrose na região operada e isso propicia aderências. As alças do intestino, que ficam se mexendo, passam constantemente na área da cirurgia, na área de fibrose, e uma parte se acotovela", explica Marcos Belotto, gastroenterologista e cirurgião dos hospitais Sírio-Libanês e 9 de Julho.

Segundo Belotto, o tratamento não cirúrgico é um caminho para evitar mais áreas de fibrose e, consequentemente, novas obstruções.

"A gente passa uma sonda pelo nariz para não deixar o líquido extravasar, porque não é possível impedir que o fígado e o pâncreas, por exemplo, continuem produzindo líquido para o intestino. Eles produzem, mais ou menos, um litro e meio de líquido por dia." O tratamento pode durar entre cinco e sete dias.

Sintomas incluem soluço, inchaço abdominal e dores

O diagnóstico é feito a partir da análise de sintomas, como inchaço abdominal, soluços, sensação de estômago cheio, refluxo, vômitos e dores. Além da avaliação clínica, podem ser realizados exames de imagem. Desde a semana passada, o presidente vinha se queixando de uma crise de soluços. 

Professor no Departamento de Cirurgia do Aparelho Digestivo da Faculdade de Medicina do ABC, Eduardo Grecco explica que, além do uso da sonda, o paciente recebe alimentação endovenosa durante a internação e alguns medicamentos podem ser utilizados.

"A alimentação é interrompida, o paciente fica em jejum e tem reposição endovenosa. Também é feito o uso de medicações que vão estimular o funcionamento do intestino, anti-inflamatórios e corticoide para diminuir o edema e, em alguns casos, antibióticos."

Grecco diz que a obstrução pode ser parcial ou total - esta última pode levar a cirurgias de emergência - e que esse processo pode ocorrer tanto no intestino delgado quanto no grosso. "Se é do delgado, que é como se fosse uma mangueira de três metros, pode fazer angulação, torção, aderência ou hérnia interna. No intestino grosso, se tem uma obstrução, o paciente vomita sem parar e há casos em que a pessoa vomita fezes."

Durante a internação, a recuperação do paciente é monitorada antes de se definir que ele será submetido a uma cirurgia.

"Os médicos observam se para de sair secreção na sonda e se o paciente volta a evacuar, soltar os gases. Mas se a alça intestinal começar a ter desgaste, algo que pode levar à isquemia, que é a falta sangue na região, pode ter a necessidade de cirurgia."

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