Reprodução/Instagram
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Obstrução intestinal: saiba mais sobre o problema recorrente de Bolsonaro

Presidente deu entrada em hospital de São Paulo com dores abdominais; tratamento envolve uso de medicamentos e, em episódios mais graves, procedimento cirúrgico

Redação, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2021 | 16h29
Atualizado 03 de janeiro de 2022 | 09h25

SÃO PAULO - Quadros de obstrução do instestino, suspeita pela qual o presidente Jair Bolsonaro foi levado na madrugada desta segunda, 3, ao hospital Vila Nova Star, na zona sul, podem ocorrer em pacientes que já enfrentaram procedimentos cirúrgicos no órgão, caso do chefe do Executivo.

Após ter sofrido um atentado a faca em 2018, Bolsonaro já foi submetido a seis cirurgias na região abdominal, que acabam aumentando as possibilidades de eventos de aderência do órgão e também obstruções. O presidente ainda será submetido a exames para confirmar o diagnóstico e deve ser atendido pelo chefe da equipe médica, Antônio Luiz Macedo, mesmo cirurgião que acompanha o caso desde a facada.

Segundo especialistas, cirurgias (ou múltiplas cirurgias) podem levar ao desenvolvimento de  fibrose na região operada e isso propicia aderências. As alças do intestino, que ficam se mexendo, passam constantemente na área da cirurgia, na área de fibrose, e uma parte se acotovela, provocando a obstrução, que pode ser tratada com nova cirurgia, a depender da gravidade.

Sintomas incluem soluço, inchaço abdominal e dores

O diagnóstico é feito a partir da análise de sintomas, como inchaço abdominal, soluços, sensação de estômago cheio, refluxo, vômitos e dores. Além da avaliação clínica, podem ser realizados exames de imagem. Desde a semana passada, o presidente vinha se queixando de uma crise de soluços. 

Professor no Departamento de Cirurgia do Aparelho Digestivo da Faculdade de Medicina do ABC, Eduardo Grecco explica que, além do uso da sonda, o paciente recebe alimentação endovenosa durante a internação e alguns medicamentos podem ser utilizados.

"A alimentação é interrompida, o paciente fica em jejum e tem reposição endovenosa. Também é feito o uso de medicações que vão estimular o funcionamento do intestino, anti-inflamatórios e corticoide para diminuir o edema e, em alguns casos, antibióticos."

Grecco diz que a obstrução pode ser parcial ou total - esta última pode levar a cirurgias de emergência - e que esse processo pode ocorrer tanto no intestino delgado quanto no grosso. "Se é do delgado, que é como se fosse uma mangueira de três metros, pode fazer angulação, torção, aderência ou hérnia interna. No intestino grosso, se tem uma obstrução, o paciente vomita sem parar e há casos em que a pessoa vomita fezes."

Durante a internação, a recuperação do paciente é monitorada antes de se definir que ele será submetido a uma cirurgia.

"Os médicos observam se para de sair secreção na sonda e se o paciente volta a evacuar, soltar os gases. Mas se a alça intestinal começar a ter desgaste, algo que pode levar à isquemia, que é a falta sangue na região, pode ter a necessidade de cirurgia."

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