'Obrigado' a aceitar cargo, Minc cobra mais rigor em licenças

Novo ministro diz que 'não teve escolha' e defende nova lei de licenciamento ambiental com menos burocracia

Daniela Fernandes, BBC

15 de maio de 2008 | 15h20

O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse nesta quinta-feira, 15,  em Paris que "foi obrigado" ao aceitar o cargo. "Não era convite, era intimação", afirmou. "Não pedi, tenho mandato no Parlamento, mas, em vista da insistência do governador Sérgio Cabral, disse que aceitaria o cargo", afirmou Minc, ao explicar a reviravolta em sua decisão sobre o convite. Em sua primeira entrevista coletiva como novo ministro, Minc afirmou que o Brasil precisa de uma nova lei de licenciamento ambiental, "com exigências mais rigorosas, mas que diminua ao mesmo tempo a burocracia".  Veja também:Marina Silva culpa estagnação e pressão de governos Ex-ministra não foi consultada sobre Mangabeira Saiba quem é Carlos Minc, chamado para o lugar de MarinaDo seringal ao ministério: a trajetória de Marina  Veja galeria de fotos da ministra no governo Íntegra da carta de demissão de Marina SilvaAntes de sair, Marina fez duras críticas aos biocombustíveis Veja os ministros que deixaram o governo Lula Especial: Amazônia - Grandes reportagens     Antes de anunciar sua decisão na quarta-feira, Minc, que ocupa a secretaria do Meio Ambiente do Rio, disse que não aceitaria o cargo, mas acabou voltando atrás. "Tenho sérias dúvidas se estarei à altura desse desafio", disse. "Não sei se estou preparado para isso. Fui impelido a aceitar o cargo."  Minc substituirá Marina Silva, que pediu demissão do cargo na última terça-feira após uma série de desgastes no governo federal. Ao mesmo tempo, segundo o novo ministro, a lei deverá eliminar procedimentos burocráticos "inúteis". "Mais burocracia não significa maior rigor em relação às exigências ambientais", disse Minc, em entrevista coletiva na capital francesa. "Ao contrário, a burocracia é a mão da corrupção." Durante sua gestão como secretário estadual de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Minc reduziu pela metade o tempo para aprovar certificações e licenças de instalação e operação. Minc afirmou que vai manter "todas as políticas da ex-ministra Marina Silva, sem exceções, e aprofundá-las em algumas questões" se baseando em sua experiência com políticas urbanas e industriais como secretário no Rio de Janeiro.Preservacionista Na próxima segunda-feira, Minc se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com Marina Silva, em Brasília. Entre as políticas defendidas pelo novo ministro está a ampliação das áreas protegidas no Brasil. Na entrevista em Paris, Minc procurou dissipar dúvidas sobre um eventual afrouxamento da política ambiental no Brasil, pelo fato de ser considerado por alguns um "desenvolvimentista". "Sou preservacionista", afirmou. "As áreas protegidas no Brasil têm de ser ampliadas e cuidadas. E têm de ter financiamento para a sua preservação." Minc disse ainda que pretende implantar em nível nacional um sistema de defesa das unidades protegidas utilizando profissionais formados especialmente para esta atividade, como já fez no Rio de Janeiro. Esse sistema poderia incluir o uso de militares nas áreas de conservação.  Elogios  Durante coletiva nesta quinta, Marina Silva manifestou confiança no trabalho do também petista Minc. "Eu sempre brinco que é melhor um filho vivo no colo de outro do que tê-lo jazendo no seu próprio colo", disse Marina em sua primeira entrevista após ter encaminhado carta de demissão em caráter irrevogável ao presidente Lula na terça-feira. Ela acrescentou que Minc é "comprometido com a causa, um ambientalista que todos nós respeitamos".  BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
Carlos MincMeio AmbienteMarina Silva

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.