Obras no interior seguraram CPI sobre governo de Yeda Crusius

Carta na manga que governistas usaram foi lembrar que, com as contas em dia, Estado não atrasa mais repasses

Elder Ogliari, de O Estado de S. Paulo,

20 de maio de 2009 | 19h40

A grande maioria que a governadora Yeda Crusius (PSDB) tem na Assembleia Legislativa desta vez funcionou e conseguiu mandar para o congelador a proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades na campanha eleitoral de 2006 e na administração do Rio Grande do Sul. A carta na manga que as forças governistas usaram para segurar seus aliados e parte dos neutros PDT e DEM foi lembrar que, com as contas em dia, o Estado não atrasa mais repasses para os municípios e iniciou uma série de obras no interior, sobretudo de acesso asfáltico a quase uma centena de cidades. Nos pedidos pela rejeição não faltaram advertências de que uma CPI paralisaria o Estado em seu melhor momento.

 

"Eu liguei para prefeitos e deputados com muita convicção", revela o chefe da Casa Civil José Alberto Wenzel, o principal articulador do governo. "Trabalhamos pelo convencimento, sem oferta de favorecimentos", ressalva. O prefeito de São Gabriel, Rossano Gonçalves, acabou se tornando um porta-voz de alguns administradores do PDT e foi à reunião em que o partido decidiu liberar sua bancada para aderir ou não ao pedido de CPI. "Eu disse que uma CPI agora engessaria o governo e isso prejudicaria os municípios no momento em que eles perderam repasses federais", relata.

 

Com a bancada liberada, três deputados optaram por não assinar o requerimento e a CPI empacou. A oposição conta com 15 assinaturas e a promessa de mais duas do DEM, mas ficou com poucas portas para bater em busca das outras duas necessárias para aprovar a proposta. Nominalmente, o governo tem grande vantagem na Assembleia. Somados, os deputados dos partidos fieis - PSDB, PMDB, PP, PPS e PTB - ocupam 33 das 55 cadeiras da casa. A oposição, formada pelo PT, PSB e PC do B tem apenas 13 parlamentares. E dois partidos neutros, o PDT e o DEM, têm nove.

 

Numa tentativa de conquistar os apoios que faltam, o PT alterou o requerimento nesta quarta-feira, incluindo a investigação de conexões de supostas irregularidades financeiras com a campanha eleitoral de 2006, mas, pelo menos até o início da noite, não havia qualquer indicativo de que algum parlamentar mudaria de posição.

 

Feijó acusado

 

Em meio à turbulência política do Estado, o deputado Coffy Rodrigues (PSDB) anunciou que pode protocolar pedido de impeachment contra o vice-governador Paulo Afonso Feijó nos próximos dias. O parlamentar acusa Feijó de improbidade porque uma empresa do vice-governador, a APF, prestou serviços de consultoria para formatação de um plano de venda de ativos da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em grave crise financeira, em 2007, quando já ocupava o cargo. Segundo Rodrigues, uma empresa de Feijó não poderia oferecer tal serviço a uma instituição que recebe dinheiro público, no caso pagamento de serviços médicos prestados a conveniados do Instituto de Previdência do Estado. O deputado anunciou que vai tomar orientação de advogados e, se entender que a proposta tem bases jurídicas, pedirá o impeachment. Feijó não comentou o assunto, mas seu advogado, Marco Campos, considerou que a tese não vai prosperar. "A vedação de negociar com estatais não se aplica a este caso porque a Ulbra é pessoa jurídica de direito privado", sustentou.

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