Obra do TRT não tem previsão de reinício

Passados mais de três meses desde que a Caixa Econômica Federal (CEF) assinou um protocolo de intenções com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo se comprometendo a finalizar a construção e cuidar da manutenção do Fórum Trabalhista da capital, não existe sequer previsão da CEF para reinício das obras. O acordo foi firmado em dezembro e, em janeiro, a CEF anunciou que deveria entregar o prédio terminado até o fim deste ano. No entanto, a instituição se nega agora a dar qualquer informação sobre os motivos que emperram a retomada. Sua assessoria de imprensa alega apenas que tal atitude está sendo adotada para "não atrapalhar as negociações."As obras do Fórum Trabalhista foram paralisadas em 1998, com a descoberta de um esquema de superfaturamento e desvio de R$ 196,74 milhões. Desde que foi iniciado, em 1993, pelo então presidente do TRT, juiz Nicolau dos Santos Neto, até 98, o empreendimento consumiu R$ 264,62 milhões do Tesouro Nacional. Nicolau encontra-se detido na Custódia da Polícia Federal em São Paulo juntamente com os empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Teixeira Ferraz - sócios da construtora Incal, responsável pela obra.De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (Sintrajud), as instalações atuais dos prédios trabalhistas são "impróprias. "Os funcionários trabalham em locais inadequados, com pouca ventilação e acabam ficando doentes", disse a diretora do Sintrajud, Marinilda Dias da Silva. Para ela, ainda haveria tempo de entregar o prédio até dezembro caso as obras fossem retomadas de imediato. "Não é impossível. As obras estão bem adiantadas, quase na fase de acabamento", disse. Segundo ela, o sindicato também não recebeu nenhum informação oficial do TRT ou da Caixa sobre o assunto.O compromisso da Caixa foi assumido em troca do recebimento dos depósitos judiciais das 79 varas trabalhistas de São Paulo. A estimativa, segundo a CEF, é que esses depósitos representem de R$ 400 a R$ 500 milhões por ano. O TRT, por sua vez, tem garantido o uso das instalações da Barra Funda por 99 anos.

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