Objetos revelam pistas sobre cotidiano dos seqüestradores

Em cima da mesa, frango frito pronto para servir, arroz e um pedaço de manga cortada. Vestígios deixados pelos seqüestradores do publicitário Washington Olivetto na casa da Rua Kansas usada como cativeiro indicam que eles saíram às pressas do local. Deixaram panelas no fogão e restos de comida em cima da mesa da cozinha, provavelmente do jantar que seria servido no sábado. Os seqüestradores escolheram um sobrado de classe média alta para abrigar o cativeiro. De acordo com os vizinhos, a movimentação dos seqüestradores era muito discreta e pouco chamava a atenção. Nos três quartos, na copa, na sala e no cômodo que fica no fundo do imóvel, a polícia encontrou diversos objetos. Alguns impressionam, como uma corda de náilon em forma de forca e seringas descartáveis. Outros chamam a atenção pela curiosidade, como camisinhas, um livro de poesias em espanhol e postais mexicanos com fotos de integrantes do Exército Zapatista de Libertação Nacional. O material distribuído nos cômodos revelam o cotidiano da quadrilha e do seqüestrado. Na sala, havia dois sofás, uma televisão, CDs e uma mesa de jantar. A polícia também descobriu que a quadrilha consumia bebidas alcoólicas, já que foram deixadas no local uma garrafa de rum cubano e várias latas de cerveja na geladeira. Também foram encontrados diversos mapas e um guia da cidade de São Paulo e de Foz do Iguaçu. A comida era feita lá mesmo e armazenada em duas geladeiras. Além de frango, consumiam café, frutas e arroz. Para beber, sucos e leite. Na copa também havia um aparelho de musculação e dois botijões de gás. No andar superior ficam os três quartos. Em todos eles, havia colchões e roupas masculinas e femininas. No quarto da frente, chamou a atenção da polícia um radioamador utilizado para monitorar as ações da polícia. As instalações elétricas também foram alteradas pela quadrilha, já que havia diversos fios espalhados pelas paredes. Nos quartos havia ventiladores no teto e toda a iluminação da casa era feita por lâmpadas de vapor de mercúrio. O bando também mantinha na casa um cachorro, que, segundo os vizinhos, era um pastor alemão. A presença do cachorro, que dormia na frente da porta da sala, causou mau cheiro na garagem do imóvel. De acordo com a estudante Aline Dota, que mora ao lado da casa, o casal que morava no imóvel costumava brincar com ele na rua. "Um dia eles sumiram com o cachorro", disse. Os integrantes do bando trocaram as fechaduras do portão. Os seqüestradores, segundo os vizinhos, também trocaram o portão manual da garagem por um modelo eletrônico, que abria e se fechava rapidamente. Perícia - Hoje pela manhã, peritos do Instituto de Criminalística (IC) estiveram na casa coletando material para realização de perícia. Segundo o diretor do núcleo de apoio logístico do IC, Milton Kaio, a polícia coletou diversos materiais, como pêlos, impressões digitais, mapas e outros objetos que ele não quis revelar quais são. "Todo esse material será enviado para ser analisado em laboratório", disse Kaio. Ele não informou quando os laudos serão concluídos. A polícia também investiga a participação de brasileiros no seqüestro do publicitário.

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