''Obama'' sonha alto em Petrolina

Político do sertão se inspira no americano

O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2008 | 00h00

Alexandre Barack Obama nasceu na área rural de Petrolina, no sertão do São Francisco, a 770 quilômetros do Recife. Casado, três filhos, segundo grau incompleto, é pobre e vende climatizadores para sobreviver. Em comum com o senador candidato à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, ele tem a cor negra, quase a mesma idade - 48 anos, um a mais que o senador - e um objetivo: assim como o norte-americano quer ser o primeiro presidente negro de seu país, Alexandre Nunes Jacinto quer se tornar o primeiro prefeito negro de sua cidade. Para isso, dá agora o primeiro passo: é candidato a vereador pelo PSDB, partido ao qual é filiado há 9 anos.O nome do político famoso foi adotado no registro da candidatura. Sua mulher, Maristela, a princípio foi contra. Outros fazem chacota.Alexandre não se importa. Tem profunda admiração por Obama, cuja trajetória acompanha há quatro anos e se encanta especialmente com sua oratória. Assim como - ideologias à parte - o embevecem os discursos de Fidel Castro e Che Guevara, dos quais possui CDs gravados e a quem considera ases da palavra. Bateu o martelo na decisão de adotar o nome como apelido ao ouvir o comentário de uma pessoa próxima: "Você vai ser o Barack Obama do Nordeste."MOTOPara correr atrás do sonho, a mulher, que é agente municipal de saúde, aceitou assumir o sustento da família no período de campanha, responsabilizando-se pela feira e pelas despesas domésticas. Para poder rodar pelo município à cata de votos, Alexandre Barack Obama comprou uma moto em 42 prestações. Nas andanças pela cidade, contudo, usa bicicleta ou caminha, para economizar combustível.O apelido adotado não está presente em todos os "santinhos" nem ele o usa indiscriminadamente: para os eleitores mais velhos e da roça, ele é Alexandre Nunes Jacinto. Para os jovens e adultos da classe média, assume o Barack Obama, sem medo de ser discriminado por fazer propaganda de um político de outra terra. "Eu nem gosto dos Estados Unidos, minha admiração é pelo homem e, como ele pode vir a mudar os Estados Unidos, eu também quero mudar Petrolina."SEM REVOLTASem assessoria de marketing, não tem um mote de campanha. Seu folheto diz apenas "Viva a América Latina". Sempre gostou de política e destaca não ser "revoltado com nada". Admira políticos de vários matizes ideológicos e não perde tempo falando mal dos outros. Suas propostas para a cidade vão desde a extinção da taxa de esgoto à revitalização do Rio São Francisco. Preocupa-se também com a situação da saúde pública municipal, que fica sobrecarregada com a afluência das populações dos municípios vizinhos. Dispõe-se ainda a lutar para que Petrolina venha a desbancar a vizinha Juazeiro - no lado baiano do Rio São Francisco - como maior distribuidora de produtos hortifrutigranjeiros.Alexandre Barack Obama tenta compensar a falta de estudos - o que, afirma, o colega norte-americano tem de sobra - com o interesse. Assiste à TV Senado e à TV Câmara para se informar e é atento aos acontecimentos no Brasil e no mundo.Mesmo sem ser evangélico, costuma chegar à casa dos eleitores com a saudação "louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo". Ninguém lhe fecha a porta na cara.

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