Pablo Martinez Monsivais/Reuters
Pablo Martinez Monsivais/Reuters

Obama se reúne com Dilma em meio a crise

Conversa reservada na Rússia ocorre após suspeita de espionagem por parte dos EUA

Andrei Netto (enviado especial/São Petesburgo) e Cláudia Trevisan (correspondente/Washington), O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2013 | 22h56

A presidente Dilma Rousseff e seu colega americano, Barack Obama, encontraram-se a sós nesta quinta-feira, 5, após a abertura da reunião de cúpula do G20, o grupo de maiores economias do mundo, em São Petersburgo (Rússia). O teor da conversa não foi divulgado pelos governos. Antes, porém, assessores da Casa Branca haviam dito que os Estados Unidos buscariam diálogo com o Brasil após a suspeita de que a Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) monitorou as comunicações de autoridades do País, incluindo Dilma.

“Vamos trabalhar com os brasileiros para que eles tenham uma melhor compreensão do que fazemos e do que não fazemos”, afirmou Ben Rhodes, vice-conselheiro de Segurança Nacional do governo Obama para a área de comunicações estratégicas. “Assim podemos entender as suas preocupações”, completou.

Em conversa com jornalistas no avião presidencial a caminho de São Petersburgo, Rhodes disse que os EUA reconhecem a importância dessa questão para os brasileiros. Nesta quinta-feira, Dilma cancelou a ida a Washington da equipe que faria a preparação de sua viagem aos EUA, marcada para outubro.

Para o assessor de Obama, o foco agora é mostrar aos brasileiros a “natureza” das ações de inteligência americanas. “Fazemos nossa inteligência exatamente como qualquer outro país ao redor do mundo”, garantiu Rhodes.

‘Terrorismo’. Na abertura do G-20, o escândalo provocado pelas suspeitas de monitoramento de e-mails, navegação de internet e ligações telefônicas de Dilma pelo NSA gerou controvérsia internacional, após o porta-voz do presidente russo, Vladimir Putin, comparar a espionagem americana a atos de “terrorismo”. A declaração não foi chancelada pelos outros governos do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

O assessor de imprensa da Rússia, Dmitri Peskov, avaliou que os Brics “expressaram descontentamento” com o fato de a espionagem digital ter sido usada para espionar assuntos internos dos integrantes do grupo – e isso. no mesmo momento em que os presidentes e primeiros-ministros estavam reunidos em cúpula no Palácio Constantino. “Os líderes dos Brics consideram que esse tipo de ação é similar a terrorismo.”

Peskov fez a declaração ao relatar o encontro entre Dilma e os colegas do bloco, antes da abertura oficial do G-20. Em seguida, questionado por jornalistas brasileiros, o porta-voz russo reiterou que o caso de espionagem americana é “uma ameaça à liberdade da internet”.

Ao tomar conhecimento das declarações da assessoria de Putin, o Brasil não confirmou a informação. A presidente Dilma Rousseff, segundo seu porta-voz Thomas Traumann, “fez um breve relato aos chefes de Estado sobre o episódio da espionagem americana”. Logo depois da intervenção, a reunião foi encerrada, os líderes fizeram a foto oficial e foram para a abertura do G-20.

Nos bastidores, o governo brasileiro se mostrou surpreso com as palavras empregadas por Peskov. “O Brasil citou o assunto e não houve debate. Foi só um relato seco”, disse ao Estado um membro da delegação. “É muito estranho esse tom.”

Em nota oficial sobre o encontro dos Brics, o governo indiano não elencou o tema “espionagem” entre os objetos de debate da reunião multilateral.

Também em briefing, Sato Kuni, diretora-geral de Imprensa e Diplomacia Pública do Ministério das Relações Exteriores do Japão, confirmou que Dilma abordara o assunto pelo menos mais uma vez durante o dia, em reunião bilateral com 2o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, no fim da manhã.

“Dilma mencionou a necessidade de um acordo multilateral para a segurança na internet”, disse a diretora. Questionada se isso era uma resposta ao caso de espionagem envolvendo os Estados Unidos e o Brasil, Sato não viu relação entre os casos. “Não foi particularmente uma resposta a nenhuma situação, porque este acordo está na agenda internacional já há um bom tempo.”

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