Obama 'parece com a gente', diz Lula

Lula também ironizou o pagamento de bônus no valor de US$ 165 milhões a executivos da seguradora AIG

Anne Warth e Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

20 de março de 2009 | 17h25

O presidente Luiz Inácio Lula Silva disse nesta sexta-feira, 20, que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é a primeira autoridade norte-americana em várias décadas que mostra sintonia com os países da América Latina. "Sem nenhum preconceito contra ninguém, mas o Obama é o primeiro presidente eleito nos EUA em muitas décadas que parece com a gente. É a única pessoa. Se ele vai fazer o que a gente acredita que ele deva fazer, eu não sei. É a primeira pessoa com cara de gente falando humildemente, falando simples, falando de América do Sul e da América Latina", afirmou, em discurso durante o encerramento do seminário "Oportunidades de Comércio, Negócios e Investimentos entre Argentina e Brasil", ao lado da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

 

O presidente voltou a dizer que reza pelo presidente norte-americano, pois boa parte da recuperação da economia mundial está vinculada à retomada do crescimento dos Estados Unidos. "Ele sabe o tamanho da crise lá, e ele sabe também que não vai salvar a economia colocando dinheiro para banqueiro quebrado", disse.

 

Lula ironizou o pagamento de bônus no valor de US$ 165 milhões a executivos da seguradora AIG, depois que a instituição recebeu US$ 170 bilhões do Tesouro Americano para não quebrar. "É a primeira vez na vida que eu vejo alguém receber bônus por fracasso. Normalmente o bônus é estipulado ao se atingir uma meta. O bônus do fracasso só pode ser dado com dinheiro do Estado. Então eu acho que ele sabe que não pode continuar", declarou.

 

Protecionismo

 

O presidente da República minimizou as medidas adotadas pelo governo argentino para proteger a indústria local de mercadorias brasileiras desde agravamento da crise internacional, em setembro.

 

"O protecionismo é quase como se fosse uma religião. Quando acontece qualquer coisa, em qualquer país, todo mundo quer defender suas empresas, seus empregos e sua economia. Isso é normal e não precisamos encarar isso como se fosse uma coisa insolúvel", afirmou.

 

Ele defendeu, porém, a adoção de medidas no Mercosul que combatam o dumping, uma prática em que países exportam produtos a preços inferiores aos praticados em seu próprio mercado. "Penso que nós precisamos ter uma proteção enorme contra o dumping. Precisamos ter protecionismo de verdade", afirmou. "Temos discutido a definição de preços equivalentes e justos para que a economia de um país não prejudique a dos outros. Isso é plenamente possível e tenho certeza de que empresários brasileiros e argentinos estão de acordo", ressaltou. Apesar disso, ele destacou que a saída para a crise é "mais comércio, mais diálogo e aprofundamento das relações entre Brasil e Argentina".

 

Futebol

 

Como faz tradicionalmente ao encontrar presidentes e autoridades estrangeiras, o presidente Lula usou referências do futebol. Ele disse que é nesse esporte que estão as poucas divergências entre Brasil e Argentina. "Lamento que o time do presidente Néstor Kirchner, o Racing, não esteja muito bem das pernas. E o meu Corinthians está bombando no Brasil, com o Ronaldão jogando bola", brincou.

 

Battisti

 

Lula não comentou a possível extradição, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do ex-ativista político Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana. "Eu só falo sobre o Battisti quando houver uma decisão do Supremo porque vamos deixar primeiro o Supremo definir o que vai fazer", limitou-se a dizer.

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