Obama deve visitar o Brasil até o início de 2010

Decisão depende da confirmação, pelo Senado americano, de Thomas Shannon como embaixador em Brasília

Patricia Campos Mello, correspondente,

15 de outubro de 2009 | 17h46

O presidente Barack Obama deve visitar o Brasil no fim deste ano ou início de 2010, disse nesta quinta-feira, 15, o embaixador brasileiro em Washington (e futuro secretário-geral do Itamaraty) Antonio Patriota.

 

Mas a viagem depende do fim da crise em Honduras. Segundo Patriota, Obama quer incluir na visita o Chile - e gostaria de ir antes do fim do mandato de Michele Bachelet, que acaba no dia 11 de março. Para isso, no entanto, é necessária a confirmação de Thomas Shannon, indicado para assumir a embaixada americana em Brasília, e Arturo Valenzuela, escolhido para ser o próximo secretário assistente para Hemisfério Ocidental no Departamento de Estado, principal posto diplomático para a região.

 

A ratificação dos dois no cargo foi bloqueada pelo senador republicano Jim de Mint, conservador que se opõe ao posicionamento dos indicados em relação à situação em Honduras. "A confirmação de Shannon é o primeiro passo" para a visita de Obama, disse Patriota em evento em Washington.

 

Uma fonte do Senado americano informou ao Estado de que Mint se reuniu com Valenzuela na quinta-feira da semana passada e com Shannon nesta quinta-feira. O senador defende o presidente de facto de Honduras e critica a posição do governo americano de pedir a restituição de Manuel Zelaya ao poder.

 

Ele diz que Valenzuela e Shannon têm posições "pró-Chávez". Para desbloquear a confirmação, o senador exige que o governo americano emita uma nota dizendo que vai reconhecer o resultado da eleição de novembro em Honduras, segundo apurou o Estado.

 

Mas o Departamento de Estado já deu indicações de que não vai reconhecer a eleição de novembro, a não ser que antes haja algum acordo entre Zelaystas e partidários do presidente de facto Roberto Micheletti. A opção é as partes em Honduras chegarem a um acordo antes da eleição de novembro.

 

Segundo a fonte no Senado, a situação em Honduras pode se resolver em alguns dias e com isso De Mint deixaria de bloquear Shannon e Valenzuela.

 

Depois da confirmação dos dois, o subsecretário de assuntos políticos do Departamento de Estado, Bill Burns, viajaria ao Brasil para preparar a visita da secretária Hillary Clinton, que iria em seguida, disse Patriota. "Dessa maneira, o presidente Obama poderia ir no fim deste ano ou no começo do próximo", disse Patriota.

 

O Departamento de Estado não confirma a viagem de Hillary ou do subsecretário. Mas Charles Luoma-Overstreet, porta-voz do escritório de Hemisfério Ocidental, disse ao Estado que "há discussões, embora não haja nada confirmado".

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