Obama dá apoio tímido à reforma na ONU, mas melhor que o previsto

Declaração favorável do presidente americano coroou visita ao Brasil, que começou com baixas expectativas de acordos sobre Conselho de Segurança

Lisandra Paraguassu, Tânia Monteiro e Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

19 de março de 2011 | 14h45

 Brasília - A questão da reforma da ONU e o apoio aos esforços do Brasil para criar um novo Conselho de Segurança acabaram ganhando uma relevância maior do que o previsto inicialmente. A expectativa brasileira era de que a declaração americana não passasse de amenidades sobre visões comuns em torno da paz mundial, mas acabou citando o apoio aos esforços brasileiros nas negociações para a reforma, que evoluíram nas últimas horas antes da chegada de Obama.

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O Brasil acabou ganhando um apoio, no papel, nas mesmas bases do que foi dado a Índia, em novembro do ano passado. Na época, Obama afirmou que a "justa e sustentável ordem internacional que a América busca inclui uma Nações Unidas eficiente, efetiva, crível e legítima. Por isso eu posso dizer hoje que nos anos que se seguirem eu espero ver um Conselho de Segurança reformado que inclui a Índia como um membro permanente".

 

O Brasil, no entanto, desde a questão nuclear do Irã - que o País tentou, junto com a Turquia, um acordo para enriquecimento de urânio fora do território iraniano e terminou por desagradar as potências de primeiro mundo - padecia de uma má vontade americana. Na época, o governo americano avaliou que o Brasil havia sido "ingênuo" nas tratativas com o Irã e havia prejudicado a negociação de ampliação das sanções ao país do oriente médio.

 

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, afirmou, na última semana, que esse esfriamento nas relações americanas e brasileiras havia mudado. Em visita aos EUA, Patriota disse ter ouvido da secretária de Estado Hillary Clinton elogios fervorosos ao papel do Brasil na reconstrução e pacificação do Haiti.

 

Ainda assim, Patriota não esperava, naquele momento, uma declaração mais firme de Obama. O próprio chanceler afirmou, então, que um apoio dos Estados Unidos era importante, um reconhecimento do papel e da liderança internacional do Brasil, mas não era a solução para tudo, uma "panaceia" para todos os problemas da reforma do Conselho de Segurança.

 

A declaração favorável do presidente americano coroou a visita ao Brasil, que começou com baixas expectativas em termos de acordos relevantes.

 

Entretanto, outros 10 acordos foram assinados ainda na manhã deste sábado, 19, pelo chanceler Patriota e o embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon. Entre eles, o Trade and Economic Cooperation Agreement, com a formação de um conselho que se reunirá anualmente para diminuir os entraves comerciais entre os dois países. Também foi assinado um memorando de cooperação sobre a preparação para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

 

Os acordos incluem ainda pesquisas espaciais, aumento de bolsas de estudos para brasileiros nos Estados Unidos, melhoria nos serviços e nas opções de voos comerciais entre os dois países e desenvolvimento de um biocombustível para aviação.

 

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