Obama chega ao Brasil com avaliação em alta, revela pesquisa

Dados do Instituto Latinobarómetro indicam que a maioria dos cidadãos do Brasil, Chile e El Salvador consideram respeitoso o modo de tratamento dos EUA com seus países

Gabriel Manzano Filho, de O Estado de S. Paulo

18 de março de 2011 | 17h43

 O presidente Barack Obama desembarca na América Latina num momento em que a imagem dos Estados Unidos experimenta uma inédita virada. A proporção de cidadãos para os quais o governo americano trata o seu país “com respeito” subiu, desde sua posse, em 2008, de 38% para 63% – um salto de 24 pontos. E a ideia de que vão bem as relações dos EUA com os países visitados é partilhada por 83% no Brasil, 91% no Chile e 85% em El Salvador.

 

É o que revela pesquisa divulgada nesta sexta-feira, 18, pelo Instituto Latinobarómetro, de Santiago do Chile, que ouviu 20 mil pessoas em 18 países. O título já direciona o resultado: “Uma Era Obama? Imagem dos EUA na América Latina, 1996-2010”. Em dezenas de gráficos e análises, o trabalho apresenta médias de todo o continente, mensurando sempre os dois itens mais positivos, como em “bom” e “muito bom”. Dentro das médias do continente, os índices nacionais variam muito. Por exemplo, os 63% que hoje acham os EUA “respeitosos” incluem 67% no Brasil, 81% no Chile e 43% na Argentina, entre outros.

 

O Latinobarómetro investigou também o outro lado: se os latino-americanos têm “uma boa opinião” sobre os Estados Unidos. Deu mais uma vitória de Obama: o pelotão da boa opinião aumentou 38 pontos de 1996 até agora – de 38% para 73%.

 

No Brasil, segundo a pesquisa, o impacto dessa virada é pequeno - o que se explica porque o prestígio americano já era alto, graças às boas relações entre os presidentes Lula e George Bush. Assim, a melhoria da imagem americana pós-Bush foi de apenas 9 pontos, de 58% em 2008 para 67% agora. Mas a “boa opinião” de brasileiros sobre os EUA subiu bastante, de 58% dos consultados em 2008 para 73%.

 

No Chile, onde Obama estará na segunda-feira, 21, seu “ganho” chegou a 30 pontos: os cidadãos que acham que os EUA tratam seu país com respeito passaram de 51% para 81%. O recorde,

nessa tabela, ficou com a Colômbia: 36 pontos a mais em dois anos, de 38% para 74% dos consultados.

 

“Sem dúvida, nos defrontamos com um novo cenário”, diz o texto de análise do Latinobarómetro, dirigido por Marta Lagos. “Mas será que se pode dizer que estamos diante de uma era Obama?”, pergunta ela. A conclusão da pesquisa é que a região precisa de “evidencias” de suas políticas, tão proclamadas durante a campanha. Ou seja, “o impacto favorável da era Obama é um fato, mas não é incondicional”.

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