OAB critica tentativa de anistiar envolvidos no mensalão

A tentativa de anistiar políticos envolvidos no escândalo do mensalão "seria uma manobra casuística" que, se aprovada, representaria "uma nódoa para a democracia e um retrocesso inaceitável para a cidadania", afirmou na segunda-feira em nota o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto.Em reação às notícias de que o Campo Majoritário do PT começaria a coletar assinaturas para um projeto pela anistia do ex-ministro José Dirceu, o novo presidente da OAB ressaltou que essa mesma cidadania "condenou expressamente o esquema de cooptação conhecido como mensalão".Na opinião de Britto, devolver os direitos políticos a Dirceu, assim como a parlamentares de outros partidos punidos pelo Congresso, é absurdo e não teria apoio político da sociedade brasileira. "O Congresso tem que refletir a vontade do povo, seu soberano", disse. "Não se tem dúvida do descompasso da legislatura passada, especialmente na questão dos mensaleiros". Lembrou em seguida que "anistiar e não punir mensaleiros são erros que se equivalem, ambos enquadrados na mesma classe corporativa que tanto mal causa ao Brasil". "O País não merece a reprise do dramalhão político que pautou o parlamento em tempos tão recentes".Britto afirma, no entanto, que a notícia divulgada pelo Campo Majoritário pode ser apenas fruto de manobras e especulações típicas do início de uma legislatura. Por isso, entende ele, a campanha dificilmente vai prosperar. "Até pelas dificuldades políticas que a tese encerra, ela já nasce praticamente inviabilizada", observa o presidente da OAB.AgendaPara ele, o Congresso que saiu das eleições de outubro de 2006 e as outras forças políticas do País têm um compromisso maior de "fazer avançar a democracia e as medidas que coloquem o País na rota do crescimento econômico sustentado".Essas são as prioridades a serem seguidas, enfatizou o novo presidente - ele acaba de assumir o posto, sucedendo a Roberto Busato -, capazes de assegurar emprego, renda e justiça. "É esta a agenda positiva que a sociedade espera de seus representantes, ao lado do compromisso com a ética, a probidade e o zelo com a coisa pública, para que não se repita o triste esquema do mensalão".

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