OAB critica expulsão de jornalista do NYT

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, criticou, durante café da manhã promovido pela entidade para discutir a legislação eleitoral, a decisão do governo brasileiro de expulsar do País o correspondente do jornal norte-americano New York Times, Larry Rohter, autor de uma matéria sobre suposto hábito do presidente Lula de consumir bebidas alcoólicas. Busato disse que a decisão baseou-se num dispositivo legal que estava em desuso há 30 anos e vinha da época do regime militar. Segundo ele, foi "uma reação deselegante" do governo. Busato observou que o governo havia conseguido solidariedade até da oposição quanto à reportagem, mas que a atitude de expulsar o correspondente foi "antidemocrática".Questionado sobre como achava que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que já foi presidente da OAB, deveria ter reagido no caso, já que a decisão foi tomada na ausência dele, que se encontra na Suíça para assinar acordo de cooperação sobre lavagem de dinheiro, o presidente da OAB disse que a situação de Bastos ficou incômoda em virtudde da tradição democrática que ele tem. Além do episódio Rohter, recentemente o governo tomou outra decisão que contrariou o ministro da Justiça, ao apoiar a criação da figura da súmula vinculante, no bojo da reforma do Judiciário. Busato lembrou que, durante sua campanha para a Presidência, Lula havia assumido o compromisso de se posicionar contra a súmula vinculante. "Isso fragiliza a todos", afirmou. O presidente interino do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nelson Jobim, que assumiu o cargo segunda-feira com a aposentadoria compulsória, por idade, do então presidente Maurício Corrêa, não quis falar sobre o cancelamento do visto provisório do jornalista do jornal New York Times. Jobim, que também participou do café da manhã promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), alegou que não lhe cabe emitir opinião a respeito.Já a presidente da OAB/DF, Estefânia Viveiros, outra participante do café, qualificou a decisão do governo de "absurda e lamentável". "Se o jornal foi infeliz, pior ainda foi o Brasil, dando essa resposta", afirmou ela. ?Jornalista se baseou em alguma coisa?, diz TumaO senador Romeu Tuma (PFL-SP), também presente, foi outro que criticou a decisão do governo. Ele disse que o normal deveria ser uma advertência e pedido de desmentido. Mas a suspensão do visto e praticamente a deportação do jornalista só traz prejuízos para o País. "O jornalista pode ter exagerado, mas se baseou em alguma coisa", observou Tuma.

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