OAB condena volta de 'deputado da meia' ao cargo no DF

Flagrado escondendo dinheiro na meia, Leonardo Prudente diz que retornará à presidência da Câmara

Fabio Graner, da Agência Estado,

01 de janeiro de 2010 | 23h18

Classificando o ato de "descaro indescritível", a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) condenou o retorno do deputado distrital Leonardo Prudente (sem partido) à presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Prudente é um dos principais envolvidos no escândalo chamado de "Mensalão do DEM", responsável por uma das imagens mais emblemáticas do suposto esquema de desvio de recursos, em que guarda maços de dinheiro nas meias.

 

"O gesto do deputado Leonardo Prudente, de reassumir a presidência da Câmara Distrital do DF, como se simplesmente inexistisse o escândalo de que é um dos principais protagonistas, é de um descaro indescritível, que ofende a consciência cívica da sociedade brasileira. O pior pecador é o que celebra em triunfo os seus próprios pecados", afirma a entidade, por meio de nota assinada pelo seu presidente, Cezar Britto.

 

Por conta do escândalo, que gerou uma verdadeira enxurrada de pedidos de impeachment do governador do DF, José Roberto Arruda, e o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os deputados envolvidos no episódio, Prudente havia se licenciado da presidência da Casa por tempo indeterminado. Mas em uma reviravolta política, o deputado reviu sua decisão nessa semana, retomando a presidência da Câmara Legislativa. É ele, portanto, quem vai conduzir os processos de instalação da CPI da corrupção na política do DF e de impeachment de Arruda.

 

"Não poderia haver desfecho mais lamentável para o 2009 do contribuinte brasiliense, lesado em ações fraudulentas por políticos como Prudente, eleitos para defendê-lo e representá-lo", diz a OAB, que protocolou pedido de impeachment de Arruda logo que o escândalo veio à tona. "A OAB lastima esse gesto e informa que continuará lutando em todas as frentes para que os agentes públicos envolvidos no Mensalão de Brasília respondam por seus crimes e sejam exemplarmente banidos da vida pública brasileira", diz a nota da entidade.

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