OAB: candidato renuncia e acusa presidente

Às vésperas da eleição para a presidência do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o pernambucano Urbano Vitalino renunciou hoje à sua candidatura em uma carta recheada de acusações ao atual presidente da entidade, Reginaldo de Castro, e ao candidato paulista, Rubens Approbato. Com isso, Approbato, que é apoiado por Reginaldo de Castro, passa a ser candidato único nas eleições a serem realizadas amanhã.Na carta-renúncia encaminhada hoje ao presidente e aos integrantes da Comissão Eleitoral do Conselho Federal da OAB, Urbano Vitalino afirma que não há democracia no processo eleitoral da OAB. "Os métodos utilizados nesta grande farsa eleitoral da OAB Nacional foram os mais vis, abjetos e repugnantes, contraditórios a tudo o que se defendeu nesses 70 anos de institucionalização da entidade maior da classe dos advogados", sustenta Vitalino.Segundo ele, "amasiaram-se, em conluio avassalador, o poder econômico desabusado, de que se vale o candidato da OAB de São Paulo, e o escancarado uso da máquina administrativa do Conselho Federal, cujo presidente se despiu da imparcialidade que deveria marcar a ação do condutor do processo sucessório para colocar tudo a serviço dessa candidatura". Vitalino, que é vice de Reginaldo de Castro, acrescenta que "não mais idéias ou programas são oferecidos na busca de apoio, mas verbas ou benefícios espargidos, em profusão".Em grande parte da carta, ele critica o fato de Reginaldo de Castro ter apoiado a candidatura de Rubens Approbato. "Jamais se viu, como agora, um presidente nacional da OAB sair em périplo pelo Brasil, a bordo de jatos particulares custeados não se sabe por quem, levando pelas mãos um dos candidatos no processo que ele tem de presidir", acrescenta. O pernambucano conclui que é "intolerável constatar o escambo, onde o voto ao candidato oficial vale a verba prometida ou a benesse anunciada".No final da tarde, Reginaldo de Castro divulgou uma nota na qual se diz surpreso com a renúncia de Vitalino. Castro classificou como "lamentáveis" os termos do requerimento do candidato pernambucano. "Sem nenhum pudor, o ex-candidato ofende a todos os representantes dos advogados brasileiros", afirma o atual presidente.Segundo Reginaldo de Castro, as acusações feitas por Vitalino são "levianas". "Na verdade, só se pode entender a carta-renúncia como uma pálida justificativa de um candidato que, embora vice-presidente da OAB nos últimos três anos, não conseguiu convencer nem mesmo o atual Presidente de suas qualidades", critica o presidente da OAB.Reginaldo de Castro diz que as acusações de Vitalino são inconsistentes, genéricas e "sem a indicação de um só fato concreto que pudesse, mesmo em tese, configurar abuso do poder político por parte da Presidência da OAB". "Cuida-se, apenas, de difamar e injuriar, sem a mais mínima preocupação de arrolar fatos ou, menos ainda, provas", afirma.O presidente da entidade assegurou que nunca usou a estrutura administrativa e/ou financeira da OAB em favor de candidato. "Jamais prometi verbas ou benesses a qualquer seccional em troca de votos e nunca fiz ameaças a qualquer integrante da OAB", garante.

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